Duas doenças que aumentam a frequência cardíaca são frequentemente confundidas

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Marilynn Larkin

NOVA IORQUE (Reuters Health) – Em jovens, a síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS) é muitas vezes confundida com a síncope vasovagal postural, mas as duas condições são mutuamente exclusivas, dizem os pesquisadores.

“Síncope vasovagal postural recorrente é causada pela hipoperfusão cerebral transitória decorrente de episódios de hipotensão e bradicardia; o diagnóstico é feito com base no histórico médico”, enquanto a POTS é “definida por sintomas crônicos diários de intolerância ortostática com exagerada taquicardia na vertical sem hipotensão”, explicam os Drs. Marvin Medow e Julian Stewart, da New York Medical College (Valhalla), em um artigo publicado on-line no dia 28 de março na Pediatrics.

Eles acrescentam: “Recentemente, a síndrome de taquicardia postural ortostática tem sido confundida com síncope vasovagal postural quando a taquicardia excessiva é sucedida por hipotensão durante o teste de inclinação”.

Os Drs. Medow e Stewart disseram à Reuters Health: “Estamos recebendo pedidos mais frequentes para avaliar pacientes que estão sendo diagnosticados com POTS simplesmente porque experimentam aumentos na frequência cardíaca quando estão em pé. Também vemos pacientes com síncope vasovagal postural nos quais a pressão arterial cai e a frequência cardíaca aumenta”.

“Parece haver alguma confusão na distinção destes dois grupos, porque em alguns casos de desmaios, a frequência cardíaca aumenta para níveis que podem sugerir POTS, mas os pacientes com síndrome de taquicardia postural ortostática não apresentam hipotensão”, disseram eles em um e-mail conjunto. “Além disso, a POTS é crônica, com sintomas diários, enquanto a síncope é episódica”.

A equipe realizou testes de inclinação em 47 pacientes (29 mulheres, idade média de 18 anos) com síncope vasovagal postural recorrente que desmaiaram pelo menos três vezes no último ano, e 15 controles pareados por idade e IMC. Foram também aferidas medidas de pressão arterial, frequência cardíaca, débito cardíaco, resistência periférica total e dióxido de carbono ao final da expiração.

Comparados em decúbito dorsal, a frequência cardíaca aumentou significativamente após o teste de inclinação de cinco e 10 minutos, tanto nos controles (65 bpm versus 83 versus 85, P <0,001) quanto nos pacientes com síncope vasovagal postural (69 versus 103 versus 109).

Enquanto o teste de inclinação aumentou a frequência cardíaca em 20,3 batimentos por minuto nos controles, o aumento nos pacientes com síncope vasovagal postural foi significativamente maior, de 39,8. Ocorreu um aumento da frequência cardíaca de pelo menos 40 batimentos por minuto em 26% dos pacientes com síncope vasovagal postural após o teste de inclinação de cinco minutos, e em 44% após o teste de 10 minutos, mas não nos controles.

“A mensagem para levar para casa”, dizem os Drs. Meadow e Stewart, “é que os pacientes não devem ser informados que têm POTS com base exclusivamente em aumentos da frequência cardíaca em posição ortostática”.

O editorialista Dr. Jeffrey B. Anderson, diretor da Syncope Clinic do Cincinnati Children’s Hospital (Ohio), disse à Reuters Health: “Pacientes com POTS têm uma variedade de sintomas causados pela intolerância ortostática, e isto também pode ter efeitos psicológicos significativos”.

“Tanto a POTS quanto a síncope vasovagal postural geralmente podem ser diagnosticadas com uma boa anamnese e exame físico”, disse ele por e-mail. “De fato, o American College of Cardiology, juntamente com a Heart Rhythm Society e a American Heart Association,  recentemente publicou diretrizes que recomendam testes mínimos em pacientes que se apresentam com essas condições”.

“Diferenciar estes dois problemas é importante e necessário para prescrever recomendações de tratamento adequadas, bem como para fornecer orientação antecipatória”, enfatizou. “O excesso de exames para estas condições médicas custa caro e pode levar ao diagnóstico incorreto, resultando em mais exames e uma maior utilização do sistema de saúde.”

A Dra. Daphne T. Hsu, chefe da Divisão de Cardiologia Pediátrica e co-diretora do Pediatric Heart Center do Children’s Hospital at Montefiore, em Nova York, comentou: “Os dois diagnósticos são feitos clinicamente, pois não há um teste decisivo que defina um ou outro. (Os achados) mostram que um batimento cardíaco acelerado em um teste de inclinação não significa automaticamente que um paciente tem POTS e será propenso a desmaiar com mais frequência.”

O tratamento para ambas doenças geralmente envolve “mudanças do estilo de vida, sendo os pacientes com síncope vasovagal postural encorajados a beber mais líquidos e permanecerem bem hidratados, e os pacientes com POTS incentivados a fazer mais exercícios e aumentarem seus níveis de atividade física”, disse ela por e-mail à Reuters Health. “Mas estas recomendações não são absolutas, e muitas vezes os dois tipos irão responder a todas as terapias.”

FONTE: http://bit.ly/2ouWTAL e http://bit.ly/2ovbAnh

Pediatrics 2017.

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