Epilepsia em idosos pode indicar risco aumentado para AVE

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Sue Hughes

HOUSTON, Texas — Um novo estudo descobriu que pacientes idosos com convulsões têm um risco aumentado para acidente vascular encefálico (AVE) futuro.

“Descobrimos que pacientes idosos com epilepsia têm cargas muito maiores de doenças vasculares comórbidas e fatores de risco, como hipertensão, fibrilação atrial, doença vascular periférica e doença arterial coronariana, do que a população em geral”, disse o Dr. Matthew Mercuri, Weill Cornell Medicine, Nova York (Nova York). Eles também apresentaram um risco aumentado para acidente vascular encefálico isquêmico (AVEi).

“Nossa conclusão conservadora é que a epilepsia em pacientes idosos indica uma doença cerebrovascular escondida”, disse o Dr. Mercuri. “Sugerimos que doença cerebrovascular pode causar convulsões, e mesmo que um paciente não tenha tido um evento cerebrovascular evidente, ele pode apresentar doença vascular silenciosa, o que pode causar uma convulsão. Acredito que devemos considerar as convulsões como um alerta de risco de acidente vascular encefálico futuro”.

Ele acrescentou: “Se um paciente idoso se apresenta com convulsões, acredito que devemos considerar o risco dele para AVE e usar isso como uma oportunidade para controlar fatores de risco tais como pressão arterial, colesterol, fibrilação atrial e tabagismo. Isto é provavelmente algo que a maioria dos médicos não pensaria atualmente”.

O estudo foi apresentado na recenteInternational Stroke Conference (ISC) 2017.

Convulsões e AVE

Dr. Mercuri explicou que lesão vascular cerebral pode resultar em epilepsia, por isso ele e seus colegas se perguntaram se havia ligação entre convulsões e AVE.

Para pesquisar tal ligação, eles examinaram dados de guias de pagamento de pacientes internados e ambulatoriais de 2008 a 2014 em uma amostra de 5% dos beneficiários do Medicare (seguro de saúde pago pelo governo dos EUA a pacientes idosos) com 66 anos de idade ou mais.

Eles usaram epilepsia, definida como duas ou mais guias de pacientes internados ou ambulatoriais com diagnóstico de convulsão, como variável preditora e AVE ou infarto agudo do miocárdio (IAM) como desfecho primário.

Estatísticas de sobrevivência e modelos de riscos proporcionais de Cox foram utilizados para avaliar a relação entre a epilepsia e o AVEi ou IAM decorrentes, ao mesmo tempo em que se ajustavam as características demográficas e os fatores de risco vascular.

Os resultados mostraram que entre os 1.548.556 beneficiários com um acompanhamento médio de 4,4 anos, 15.055 (1.0%) desenvolveram epilepsia e 121,866 (7.9%) sofreram um AVEi ou IAM.

Os pacientes com convulsões eram mais velhos (76,1 vs 73,7 anos) e tinham uma carga significativamente maior de comorbidades vasculares do que o restante da coorte.

A incidência anual de AVE ou IAM foi de 3,28% (intervalo de confiança, IC, de 95%, 3,10% – 3,47%) naqueles que apresentavam crises convulsivas vs 1,79% (IC de 95%, 1,78% – 1,80%) naqueles sem convulsões (hazard ratio não ajustada de 1,89; IC de 95%, 1,78 – 2,00).

Após ajuste para fatores demográficos e de risco, a epilepsia apresentou uma fraca associação com o desfecho composto (hazard ratio ajustada, 1,36; IC de 95%: 1,29-1,44), uma associação mais forte com AVE isquêmico (hazard ratio ajustada, 1,77; IC de 95%: 1,65; 1,90), e nenhuma associação com IAM (hazard ratio ajustada, 0,95; IC de 95%, 0,86 – 1,04).

International Stroke Conference (ISC) 2017. Resumo 140. Apresentado em 23 de fevereiro de 2017.

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