Diabetes Mellitus

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Por Dr. EGAS MOURA, PEDIATRIA Portugal

A diabetes mellitus – DM é a doença do sistema endócrino mais frequente na infância e adolescência e é caracterizada por hiperglicemia crónica (aumento do açúcar no sangue). Esta hiperglicemia resulta duma deficiência na secreção de insulina, de uma alteração da sua acção ou, ainda, de ambas, resultando num metabolismo anormal dos hidratos de carbono, das gorduras e das proteínas. É assim uma doença metabólica.

A diabetes mellitus é um grupo de doenças metabólicas caracterizado pela hiperglicemia crónica resultante de defeitos da secreção de insulina, da acção da insulina ou de ambos. Esta doença é classificada, de acordo com a sua forma de apresentação em diabetes mellitus tipo 1 (DM1) e diabetes mellitus tipo 2 (DM2).

A insulina é uma hormona libertada pelo pâncreas. A insulina controla a quantidade de açúcar (glicose) no sangue. A criança com diabetes tem elevadas concentrações de açúcar no sangue (hiperglicemia) seja porque o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina (diabetes tipo 1, antes denominada DM juvenil) ou porque o corpo é insensível à quantidade de insulina produzida (diabetes tipo 2). Em ambos os casos, a quantidade de insulina disponível é insuficiente para as necessidades do corpo.

A DM tipo 1 pode se desenvolver a qualquer momento durante a infância, mesmo durante o estágio de bebé, mas em geral começa entre as idades de seis e 13 anos. A DM tipo 2 ocorre principalmente em adolescentes, mas é cada vez mais comum entre crianças com excesso de peso ou obesas.

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A DM1 ocorre sobretudo na infância e adolescência, está associada à destruição pancreática e consequente incapacidade de produzir insulina. O doente é totalmente dependente de insulina exógena, sendo também conhecida por diabetes insulino-dependente.

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A DM2 é mais frequente, resulta da resistência à acção da insulina e secreção compensatória inadequada. Como tal, apresenta uma evolução mais lenta, ocorre sobretudo no adulto e a necessidade de insulina exógena verifica-se numa fase tardia da doença.

A hiperglicemia crónica associa-se a danos tecidulares a longo prazo principalmente nos tecidos oculares, renais, nervosos, cardíacos e vasculares.

  • EPIDEMIOLOGIA

A nível mundial há uma grande variabilidade na incidência de DM1. O risco de desenvolver esta doença é 350 vezes maior na Finlândia e Sardenha quando comparado com a China e Venezuela. Entre 1990-1999 houve um aumento na incidência de 2,8%, sendo a faixa etária abaixo dos 5 anos a principal responsável. Estudos, demonstraram que o aumento da incidência de DM1 não se deve provavelmente a mudanças na frequência genes de susceptibilidade, mas a mudanças de factores ambientais. Foram propostos também, diversos factores, ainda não esclarecidos: infecções, taxa de rápido crescimento após o nascimento, idade materna, tipo de parto, peso ao nascimento, exposição a radiação UV e concentração materna e fetal de vitamina D.

A incidência da DM1 aumenta com a idade, atingindo o pico na puberdade. Há estudos que demonstram que as crianças dos 5 aos 9 anos tinham risco 1.62 vezes superior e dos 10 aos 14 anos 1.94 vezes superior de desenvolver DM1, que dos 0 aos 4 anos de idade 3,6.

Na Europa a incidência é mais elevada na Finlândia (35,5/100000) e mais baixa no norte da Grécia (4,6/100000), sendo no geral, 10 vezes mais elevada no norte da Europa que no Sul. Em Portugal a incidência de DM1 é 3 vezes mais baixa na Madeira do que em Portalegre.

  • Sinais e sintomas

Os sintomas, o diagnóstico e o tratamento da DM são similares em crianças e adultos.

Elevadas concentrações de glicose no sangue são responsáveis por uma variedade de sintomas imediatos e complicações de longo prazo.

Como referido, a DM1 é a forma mais frequente na criança.

Os sintomas manifestam se rapidamente na DM tipo 1, geralmente em duas ou três semanas ou menos e costumam ser bastante óbvios.

A apresentação típica é uma história, muitas vezes com menos de 1 mês de evolução, de poliúria (urinar muito), polidipsia (muita sede), polifagia (muita fome), com emagrecimento. Algumas crianças ficam desidratadas, o que resulta em fraqueza, letargia e pulsação acelerada, a visão pode também ficar turva.

Existem também formas mais insidiosas de aparecimento da doença, caracterizadas por letargia, fadiga e emagrecimento.

A cetoacidose diabética representa cerca de 25% das manifestações iniciais da diabetes na criança, podendo manifestar-se precocemente de uma forma leve, com vómitos, poliúria e desidratação. Nos casos mais graves, pode haver evolução clínica até à alteração do estado de consciência, chegando ao coma.

A diabetes tipo 2 na criança tem aumentado de forma importante nos países desenvolvidos, acompanhando o aumento da obesidade nesta faixa etária. Para além da obesidade, poderá haver poliúria e polidipsia, menos marcada que na diabetes tipo 1, sendo frequentemente assintomática.

  • Diagnóstico

Perante a presença dos sintomas clássicos da doença (poliúria, polidipsia, polifagia com emagrecimento), uma glicemia (nível da glicose no sangue) ocasional, igual ou superior a 200 mg/dl faz o diagnóstico de diabetes. Em formas mais graves podem estar presentes corpos cetónicos na urina (cetonúria), que, apesar de isoladamente não fazerem o diagnóstico, complementam o resultado da glicemia elevada, definindo maior gravidade do quadro clinico.

Também faz o diagnóstico de diabetes mellitus o aparecimento, em duas ocasiões diferentes, de uma glicemia em jejum igual ou superior a 126 mg/dl (7,0 mmol/l) ou igual ou superior a 200 mg/dl (11,1 mmol/l), 2 horas após a ingestão de um soluto com 75 gramas de glicose dissolvida em água (1,75 g/kg, se o peso da criança for inferior a 18 kg). A prova de tolerância oral à glicose não se faz por rotina, estando reservada para situações de forte suspeita clínica com glicemia em jejum normal ou quando a glicemia em jejum é superior a 100 mg/dl e inferior a 126 mg/dl.

Em raras ocasiões, solicitam um exame de sangue que detecta anticorpos contra as ilhotas de Langerhans para ajudar a distinguir a DM tipo 1 do tipo 2.

  • Tratamento

O tratamento da DM1 implica o controlo da doença, através da minimização dos efeitos das hipoglicemias e hiperglicemias na função cognitiva e no humor e da evicção das complicações crónicas microvasculares e macrovasculares. O controlo da doença implica um balanço entre a actividade física e as necessidades energéticas do indivíduo, avaliado pela glicemia capilar. A dose de insulina necessária visa evitar as hiperglicemias sem induzir hipoglicemias.

Crianças com qualquer um dos tipos de diabetes precisam modificar a sua dieta, ter actividade física regular e em caso de excesso de peso, emagrecer.

Assim que a DM tipo 1 é diagnosticado, as crianças são, em geral, hospitalizadas e aquelas com cetoacidose diabética são internadas numa unidade de cuidados intensivos.

A terapia com insulina iniciou-se em 1922 usando insulina regular antes de cada refeição e uma injecção à noite, normalmente à 1 hora.

Actualmente, o modo de administração de insulina pode ser através de múltiplas injecções diárias (MID), ou mais recentemente através de bombas infusoras de insulina. O tratamento com insulina deve ser iniciado sempre que possível, logo após o diagnóstico, para evitar a descompensação metabólica e a cetoacidose diabética. Independentemente do regime escolhido deve ser dada a educação apropriada de acordo com a idade, maturidade e necessidades individuais da criança e da família. O bom controlo glicémico, através de regimes de MID ou bombas infusoras, permite reduzir o risco de complicações vasculares.

Na avaliação do controlo glicémico são usados principalmente dois parâmetros os doseamentos diários da glicemia capilar e o doseamento de hemoglobina glicosada (HbA1c).

As crianças com diabetes tipo 2 geralmente não precisam receber tratamento no hospital. Elas precisam de tratamento com medicamentos para diminuir as concentrações de açúcar no sangue (medicamentos anti-hiperglicémicos) tomados por via oral. Os medicamentos usados em adultos com diabetes tipo 2 são seguros para crianças, embora algumas das reações adversas, especialmente a diarreia, causem mais problemas nas crianças. Algumas crianças com diabetes tipo 2 necessitam de insulina. Algumas crianças que perdem peso, melhoram sua dieta e fazem exercícios regularmente podem conseguir suspender os medicamentos.

O cuidado nutricional e a educação são especialmente importantes para todas as crianças com diabetes. Como os carboidratos nos alimentos são convertidos em glicose pelo corpo, as variações no consumo de carboidratos causam alterações nas concentrações de açúcar no sangue. Não são aconselháveis grandes quantidades de açúcar, como aquelas contidas em refrigerantes, doces e sobremesas, pois o açúcar no sangue pode elevar se perigosamente.

Os pais e as crianças mais velhas são ensinadas a calcular o teor de carboidratos dos alimentos e a ajustar a alimentação das crianças como necessário para manter um consumo diário consistente de carboidratos. Crianças de todas as idades podem ter dificuldade em seguir de maneira consistente um plano de refeições equilibrado (refeições consumidas a intervalos regulares) e evitar a tentação de lanches ou a chamada “junk food”. Bebés e crianças em idade pré-escolar representam um desafio especial para os pais devido ao problema colocado por frequentes concentrações demasiado baixas de açúcar no sangue (hipoglicemia).

  • Apoio

Problemas emocionais afectam as crianças com diabetes e suas famílias. O facto de perceberem que têm uma doença que as acompanhará a vida inteira pode causar tristeza ou raiva em algumas crianças. Às vezes podem até mesmo negar que têm uma doença. Um médico, psicólogo ou conselheiro precisa abordar essas emoções e assegurar a cooperação da criança no que se refere a aderir ao regime necessário de refeições, actividade física, controle das concentrações de glicemia e do uso adequado dos medicamentos. O insucesso na resolução desses problemas pode levar a dificuldades para controlar a glicemia.

As colónias de férias para crianças com diabetes permitem que as crianças compartilhem suas experiências enquanto aprendem como se tornar mais pessoalmente responsáveis pelo seu quadro clínico.

Para tratar a diabetes, o médico responsável pelo tratamento da criança em geral solicita o auxílio de outros profissionais, possivelmente incluindo um endocrinologista pediátrico, um nutricionista, um assistente social e psicólogo. Grupos de apoio familiar também podem ajudar. O médico pode ainda fornecer informações para os pais levarem à escola, de maneira que os funcionários desta compreendam os seus papéis.

 

 

 

 

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Um comentário em “Diabetes Mellitus

    Anônimo disse:
    04/10/2017 às 20:40

    👍

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