Depressão da mãe e menor cuidado materno ligados a alterações adversas no EEG do filho

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Dr. Will Boggs

NOVA YORK (Reuters Health) – Depressão e menor cuidado maternos estão associados a alterações adversas no EEG de crianças, com assimetria frontal, de acordo com novos achados.

A depressão materna e a falta de cuidados predizem dificuldades comportamentais e emocionais na infância, mas existem evidências limitadas se influenciam de forma independente ou interativa o desenvolvimento do cérebro infantil, especialmente para regiões cerebrais associadas à emoção.

Para o estudo, publicado on-line em 14 de março na Translational Psychiatry, a Dra. Anqi Qiu da National University of Singapore,e colaboradores, usaram dados do estudo Growing Up in Singapore Towards Healthy Outcomes (GUSTO), uma coorte longitudinal de nascimentos.

Eles pesquisaram a relação entre sensibilidade materna e depressão pós-natal e assimetria frontal no EEG de bebês com seis meses de idade, enquanto consideraram a quantidade de tempo que as crianças passaram com as mães.

Dentre os 111 bebês incluídos no estudo, para 56 deles as mães passavam <50% do tempo em que o bebê permanecia acordado com eles (“pouco tempo passado com a mãe”) e o restante passava >50% do tempo em que o bebê permanecia acordado (“elevado tempo passado com a mãe”).

A subamostra “elevado tempo passado com a mãe” não diferiu da subamostra “pouco tempo passado com a mãe” em idade gestacional, peso de nascimento, pontuação documentada de Apgar, pontuação de assimetria frontal no EEG, pontuação de depressão materna pré-natal ou pós-natal, pontuação de sensibilidade materna ou idade materna quando avaliada.

Para toda a amostra, não houve efeito individual ou de interação significativo entre sensibilidade materna e depressão materna pós-natal na assimetria frontal do EEG do bebê.

A sensibilidade materna e a depressão materna pós-natal foram, no entanto, associadas de forma independente e significativa à assimetria frontal no EEG na subamostra “elevado tempo passado com a mãe”, sugerindo que uma menor sensibilidade materna e uma depressão materna pós-natal mais intensa estavam associadas com maior risco relativo de assimetria frontal no EEG nesse grupo.

A assimetria frontal no EEG foi significativamente correlacionada com emoções negativas em toda a amostra, observam os pesquisadores, “sugerindo que a maior assimetria frontal relativa no EEG de bebês com seis meses de idade estava associada com mais emoções negativas aos 12 meses de idade”.

“Em muitas culturas asiáticas é comum que os bebês vivam na mesma habitação e junto dos avós, ou sejam extensivamente cuidados pelos avós”, concluem os pesquisadores. “Assim, a associação entre humor ou sensibilidade maternos na função do lobo frontal do cérebro do bebê pode estar presente apenas quando bebês asiáticos passam um tempo considerável com suas mães”.

“As evidências desse artigo para a população em geral sugerem que se a mãe é o principal cuidador e ela não é mentalmente capaz, nós podemos precisar encontrar uma alternativa para os cuidados da criança”, disse a Dra. Anqi por e-mail à Reuters Health.

“Se a mãe não é mentalmente estável, podemos primeiro reduzir o tempo que ela passa com o bebê para minimizar a influência dela sobre a criança”, disse a Dra. Anqi.

“Certamente qualquer treinamento da interação mãe e filho será benéfico para ambos”.

“Esse estudo sugere que deveríamos ir além da população clínica na qual as mães estão dentro dos critérios de depressão”, acrescentou. “É importante estudar a população em geral para entender em que extensão a transmissão da saúde mental entre gerações ocorre da mãe para a criança”.

FONTE: http://bit.ly/2nveefV

Transl Psychiatry 2017.

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