HEPATITE A

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Hepatite apenas quer dizer que ocorreu um atingimento do fígado, mais propriamente que há uma inflamação do fígado.

A descoberta do vírus ocorreu em 1975, todavia, na Antiguidade, já se registavam surtos da doença, na altura chamada «icterícia infecciosa», e eram frequentes as epidemias em períodos de guerra e de cataclismos.

A infecção é provocada pelo vírus da Hepatite A (VHA), cujo genoma é constituído pelo Ácido Ribonucleico – ARN,o qual entra no organismo através do aparelho digestivo e multiplica-se no fígado, causando neste órgão a inflamação denominada hepatite A.

A hepatite A vírus (HAV) tem uma dispersão planetária, sendo extremamente prevalente em algumas regiões menos desenvolvidas.

A hepatite A transmite-se de pessoa para pessoa através do contacto directo ou indirecto com material fecal e encontra-se nas fezes da pessoa infectada (foi por essa via que acabou por ser identificado, pela primeira vez, em 1975) cerca de duas a três semanas antes dos sintomas se declararem e durante os primeiros oito dias em que a doença permanece activa. Os alimentos e/ou a água, contaminados por dejectos contendo o vírus(transmissão feco –  oral), são o veiculo, daí que seja mais frequente em países menos desenvolvidos, devido à precariedade do saneamento básico, e incida, principalmente, em crianças e adolescentes (50 por cento dos casos acontece antes dos 30 anos).

O chamado período de incubação, que é maior nas crianças do que nos adultos, dura entre 20 a 40 dias, espaço de tempo em que não se revelam quaisquer sintomas. A infecção pode durar seis meses, mas a maioria dos doentes recupera ao fim de três semanas.

De acordo com o Centers for DiseaseControlandPrevention, a prevalência desta doença nos USA era de 0.6 por cada 100 000 habitantes.No entanto, esta taxa de infecção é muito maior nos países em desenvolvimento. As pessoas que se deslocam para estes países têm um risco aumentado de contrair esta doença, a saber:

  1. Três em cada 1000 turistas / mês que visitam estes países em desenvolvimento e ficam alojados em complexos turísticos de luxo são contagiados.
  2. Cerca de 20 em cada 1000 turistas / mês, que bebam ou comam alimentos em ambientes com fracas condições higieno sanitárias, contraem esta doença.

 

  • Quais são os sintomas?

Cerca de 90% dos casos desta doença são assintomáticos.

Os sintomas mais comuns são as náuseas, febre, falta de apetite, fadiga, diarreia e icterícia que, consoante a reacção do organismo, podem manifestar-se durante um mês. Os sintomas também variam consoante a idade em que há contacto com o VHA: apenas cinco a dez por cento das crianças infectadas apresentam sintomas, nas pessoas idosas a doença pode tomar formas mais graves.

 

De início, a doença pode ser confundida com uma gripe, uma vez que esta também provoca febre alta, dores musculares e articulares, dores de cabeça e inflamação dos olhos mas, normalmente, as dúvidas desfazem-se quando a pele e os olhos ficam amarelados (ictéricos), sinal de que o fígado não consegue remover a bilirrubina e esta entra na corrente sanguínea.

Outros sintomas possíveis, após a primeira manifestação da doença que se traduz na falta de apetite, vómitos, febre e num mal-estar geral, são o aparecimento de pigmentos biliares na urina (conhecida como urina cor de Vinho do Porto), a falta de secreção biliar, dor na barriga, aumento do volume do fígado e, nalguns casos, o baço pode também aumentar de volume.

Este tipo de hepatite definido pela letra A deixa o indivíduo extremamente fraco e debilitado; por vezes, a icterícia pode demorar mais tempo a desaparecer, prolongando-se durante dois ou mais meses.

Podem também ocorrer de recaídas: um a três meses após o desaparecimento dos sintomas, estes reaparecem e, concomitantemente, os resultados das análises agravam-se podendo este quadro clínico e laboratorial persistir até seis meses. Contudo, a cura acaba por ocorrer em todos os casos.

 

Tratamento

 

Não existem medicamentos específicos para tratar esta doença. Recomenda se, essencialmente, repouso (evitando os grandes esforços físicos), durante a fase aguda, até que os valores das análises voltem ao normal, a maioria das pessoas restabelece-se completamente em cinco semanas.

Também não se recomenda qualquer dieta especial, a alimentação deve ser equilibrada como, aliás, o bom senso indica em todas as ocasiões: rica em proteínas e com baixo teor de gorduras. Nos casos em que surjam diarreia e vómitos, para evitar a desidratação, devem beber-se muitos líquidos, entre os quais não se inclui o álcool, já que este, mesmo em pequena quantidade, agrava a lesão do fígado. As náuseas e a falta de apetite fazem-se sentir com maior intensidade no final do dia e, por essa razão, a refeição mais completa deve ser tomada durante a manhã.

E como o fígado inflamado perde a capacidade de transformar os medicamentos e por isso alguns tornam-se tóxicos e agravam a doença. Não se devem tomar medicamentos a não ser que haja recomendação médica.

Também não é muito aconselhável realizar uma cirurgia durante o período de tempo em que se está doente.

Nos países ocidentais, com a melhoria das condições de higiene, somos expostos cada vez mais tarde a esta doença considerada aguda, mas que se cura rapidamente na maioria dos casos (ao fim de cerca de três semanas) sem necessitar de internamento hospitalar ou de um tratamento específico e sem deixar vestígios: após a cura, o vírus desaparece do organismo e surgem anticorpos protectores que impedem uma nova infecção, por isso, não existem portadores crónicos.

Raramente esta doença é fatal, embora em adultos afectados por uma doença hepática crónica – originada por outro vírus ou pelo consumo excessivo de álcool – a infecção pelo VHA possa provocar a falência hepática, conhecida por hepatite fulminante; de outro modo, o risco é muito baixo, da ordem de um para mil ou mesmo para dez mil.

 

Vacinação

 

A vacina contra a hepatite A foi obtida a partir do vírus inactivo, é considerada bastante eficaz e não tem quaisquer contra-indicações. Os efeitos secundários são raros e, caso se façam sentir, são ligeiros, prendem-se com a própria toma, ou seja: dor, vermelhidão e inchaço no local da picada.

Existe uma vacina que previne a infecção causada pelo VHA e outra, conhecida por combinada, que protege igualmente contra a hepatite B. Ambas são administradas por via intramuscular, mas para as crianças é suficiente metade da dose ministrada ao adulto.

A vacina da Hepatite A é, em princípio, tomada em duas doses, sendo feito um reforço seis a 12 meses após a primeira dose, no entanto, há quem questione a necessidade de uma segunda dose, já que a primeira garante 82 por cento de protecção.

Nos países onde se faz a vacinação contra esta infecção, verifica se uma diminuição do numero de casos.

A vacinação recomenda se numa fase precoce da infância e também em idade adulta, dependendo da profissão ou da existência de comportamentos de risco.

 

Grupos de risco

 

  • Familiares ou parceiros sexuais de pessoas infectadas
  • Pessoas que não estejam vacinadas ou que não tenham os anticorpos necessários
  • Médicos e paramédicos que trabalhem em hospitais
  • Viajantes para países menos desenvolvidos onde a doença é endémica
  • Toxicodependentes que usam agulhas não esterilizadas
  • Pessoas que trabalham na recolha e processamento de lixo e nos esgotos
  • Homossexuais
  • Frequentadores e pessoal que trabalha em instituições comunitárias, nomeadamente infantários, escolas, refeitórios, entre outras.

FONTE: Dr Egas Moura. Pediatria.

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