Remissão em curto prazo do diabetes tipo 2 com medicação e modificação do estilo de vida

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Kristin Jenkins

 

Cerca de um terço dos pacientes com diabetes tipo 2 pode conseguir desfrutar de vários meses de remissão livre de medicamentos caso se atenha a um curso curto e intensivo de modificação do estilo de vida e terapia farmacológica para redução do peso e controle da glicemia, dizem pesquisadores.

Os resultados de um estudo-piloto mostraram que 12 semanas após a suspensão dos medicamentos para o diabetes, 11 dos 27 pacientes (40,7%) com diabetes tipo 2 tendo recebido quatro meses de um regime metabólico elaborado alcançaram os critérios de remissão total ou parcial do diabetes pela HbA1c, em comparação a quatro dos 28 controles (14,3%) que continuaram a fazer o tratamento convencional do diabetes.

Dezenove pacientes (70,4%) no grupo do regime intensivo de 16 semanas alcançaram normoglicemia em comparação a um paciente controle (3,6%) quatro meses após a randomização, informa a equipe de pesquisadores liderada pela Dra. Natalia McInnes, médica da McMaster University, em Hamilton (Canadá).

“Este estudo piloto randomizado e controlado mostrou que, em curto prazo, a intervenção metabólica intensiva visando o jejum, a normoglicemia pós-prandial e a perda de peso foi viável, segura e pôde alcançar a normoglicemia em mais de 50% dos pacientes, induzindo ≥ 5% de perda ponderal em mais de 35% dos pacientes com diabetes tipo 2 recém diagnosticado”, dizem Dra. Natalia e colaboradores no artigo publicado on-line em 15 março no periódico Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism.

Estas descobertas desafiam o pensamento atual de que o diabetes tipo 2 seja uma “doença permanente e progressiva”, acrescentam, destacando que os resultados sugerem que a combinação de intervenções de estilo de vida e medicamentos – e não apenas a cirurgia bariátrica – pode oferecer remissão da doença, ao menos por um curto prazo.

Este ensaio mostra claramente que uma estratégia metabólica intensiva multifacetada tendo como como alvo a normoglicemia e a perda ponderal usando abordagens farmacológicas e de modificação de estilo de vida pode alcançar remissão, é aceitável para os pacientes, e pode ser facilmente transposta para a prática clínica”, afirmam os autores.

Ideia de reverter o diabetes é “muito atraente”

Na 52ª semana – quatro semanas após o término da intervenção – quatro participantes da intervenção (14,3%) e dois participantes do controle (7,1%) ainda mantinham remissão completa do diabetes segundo os critérios da HbA1c.

Em um comunicado à imprensa emitido pela Endocrine Society, a Dra. Natalia sugere que mudar o paradigma de tratamento do diabetes de simplesmente controlar a glicemia para induzir a remissão e, a seguir, monitorar a recidiva, poderia motivar muitos pacientes a seguirem as orientações médicas.

“A ideia de reverter a doença é muito atraente para as pessoas com diabetes”, diz a pesquisadora.

Para estabelecer um paralelo, em um estudo-piloto aberto, conduzido entre 11 de fevereiro de 2011 e 9 de janeiro de 2014, 83 pacientes com diabetes tipo 2 de até três anos de duração foram escolhidos aleatoriamente para um dos três grupos de tratamento: uma intervenção intensiva de oito semanas; uma intervenção idêntica ao longo de um período de 16 semanas; ou o tratamento convencional do diabetes. Todos os participantes tinham entre 30 e 80 anos de idade e índice de massa corporal (IMC) de 23 kg/m2 ou mais.

Aqueles randomizados para o tratamento convencional fizeram o controle habitual da glicose com seus médicos, e receberam as orientações convencionais sobre o estilo de vida e um pedômetro.

Os participantes dos grupos de intervenção intensiva receberam um plano de exercícios para alcançar e manter 150 minutos de atividades físicas de intensidade moderada por semana e um plano de refeições cortando consumo de energia em 500 a 750 calorias por dia para tentar promover uma redução de peso regular de 5% ou mais.

Os pacientes também receberam metformina, acarbose e insulina glargina (Lantus, Sanofi) para ajudar a alcançar e manter uma glicemia capilar de jejum de 4,0 a 5,3 mmol/L a partir da quarta semana.

Depois da suspensão dos medicamentos orais e da insulina para os pacientes da intervenção, uma programação de acompanhamento reforçou as modificações de estilo de vida, o controle regular da glicose e o tratamento com metformina e acarbose.

Comentando sobre a escolha dos medicamentos utilizados neste estudo-piloto o pesquisador sênior do ensaio clínico, o Dr. Hertzel C Gerstein, também médico da McMaster University e Hamilton Health Sciences, disse: “Optamos por utilizar a metformina, a acarbose e a insulina glargina basal (…) já que estes medicamentos têm demonstrado prevenir ou retardar o quadro de diabetes tipo 2″.

No entanto, outras combinações medicamentosas podem levar a maiores índices de remissão e precisam ser estudadas sistematicamente em relação a este resultado”, comentou o Dr. Gerstein em comunicado à imprensa.

Os resultados indicam que um curso de oito semanas de terapia metabólica intensiva pode não ser suficiente para induzir a remissão e que “uma terapia de indução de um período mais longo pode ser necessária”, concluem os pesquisadores.

Este estudo foi financiado pela Canadian Diabetes Association e pelo Population Health Research Institute. A Dra. Natalia McInnes informa ter relações financeiras com as empresas AstraZeneca, Merck e Sanofi. O Dr. Hertzel C Gerstein recebeu apoio financeiro das empresas Sanofi, Lilly, AstraZeneca e Merck; honorários como palestrante de Sanofi, Novo Nordisk, AstraZeneca e Berlin Chemie; e honorários de consultoria de Sanofi, Lilly, AstraZeneca, Merck, Novo Nordisk, Abbot, Amgen, Boehringer Ingelheim e Kaneq Bioscience. As declarações de conflito de interesse dos coautores estão listadas no artigo.

J Clin Endocrinol Metab. Publicado on-line em 15 de março de 2017. Resumo

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