Adolescentes deprimidos são mais propensos a usar maconha sintética

Postado em

Megan Brooks

 

Adolescentes que lidam com sintomas depressivos ou consomem maconha ou álcool podem estar sob maior risco de uso de canabinoide sintético no futuro, sugere uma nova pesquisa.

Esses resultados identificam uma “amostra clínica específica que pode ajudar na individualização do tratamento de prevenção do uso de drogas e nas discussões com os pacientes”, disse ao Medscape o primeiro autor Andrew Ninnemann, do Departamento de Psicologia da University of Maryland, College Park.

O estudo foi publicado on-line em 13 de março no periódico Pediatrics.

Negócio arriscado

Os canabioides sintéticos, vendidos sob uma variedade de nomes, incluindo Spice, K2 e Black Mamba, são uma mistura de ervas e temperos secos misturados com produtos químicos que, quando fumados, criam um “barato” desenvolvido para imitar os efeitos do tetrahidrocannabinol (THC), o ingrediente ativo da maconha.

“Os canabioides sintéticos são substancialmente mais potentes que o THC, tornando-os substâncias de uso mais arriscado”, disse Ninnemann.

Até o momento nenhum estudo avaliou os fatores de risco para o uso de canabioides sintéticos ao longo do tempo. “Nosso estudo contribui com esta pesquisa tão necessária à literatura, e mostra quais fatores de risco comuns para o uso de substâncias contribuem para o uso final de canabinoides sintéticos em adolescentes após um ano”, disse Ninnemann.

Como parte de um estudo longitudinal que examinou comportamentos de risco em adolescentes, dados de 964 estudantes do ensino médio do sudoeste do Texas foram coletados em dois momentos, com 12 meses de intervalo.

A análise revelou que sintomas depressivos, consumo de maconha, uso de álcool e uso de canabioides sintéticos no início do estudo eram preditores do uso de canabioides sintéticos 12 meses depois, ao passo que os sintomas de ansiedade e impulsividade não eram.

Fator Odds ratio de uso de canabioides sintéticos com 1 ano
Sintomas depressivos 1.42 (P < 0,05)
Uso de maconha (início) 2.47 (P < 0,001)
Uso de álcool (início) 1.85 (P < 0,05)
Uso de canabioides sintéticos (início) 2.36 (P < 0,001)
Ansiedade 0,85
Impulsividade 1,03

Embora as taxas de uso de canabioides sintéticos entre adolescentes tenham diminuído entre 2012 e 2015, relatos aos centros de controle de intoxicação relacionados ao uso dessas substâncias aumentaram três vezes entre 2013 e 2015.

“Mesmo um único uso tem potencial de prejudicar um adolescente”, disse Ninnemann. “É no melhor interesse dos pacientes adolescentes que clínicos e profissionais de saúde devem discutir os riscos do uso de canabinoides sintéticos com seus pacientes, deixando claro os riscos específicos e as diferenças dos canabinoides sintéticos em relação à maconha”.

Trajetória preocupante

Um estudo relacionado, também publicado no Pediatrics, mostra que adolescentes que usam canabioides sintéticos tendem a adotar comportamentos mais arriscados do que os estudantes que usam apenas maconha. Os resultados são provenientes de uma amostra representativa nacional de 15.624 alunos do ensino médio que responderam ao Youth Risk Behavior Survey realizado em 2015.

Os resultados anteriores desta pesquisa mostraram que quase um em cada 10 estudantes do ensino médio usou maconha sintética em algum momento da vida, disse ao Medscape Heather Clayton, cientista da saúde da Divisão de Saúde Escolar do Adolescente nos Centers for Disease Control and Prevention.

Esta nova análise, no entanto, descobriu que os estudantes que relataram usar canabioides sintéticos tinham maior probabilidade de se envolver em comportamentos sexuais de risco, usar outras drogas e ter comportamentos violentos em comparação com os alunos que haviam usado apenas maconha, disse ela.

Por exemplo, os estudantes que já haviam usado canabioides sintéticos apresentaram mais do que o dobro de probabilidade de terem experimentado maconha antes dos 13 anos, em comparação com os estudantes que já haviam usado apenas maconha.

Esse achado, disse Heather, sugere que os estudantes que relatam usar maconha sintética estão “possivelmente em uma trajetória de saúde muito preocupante, o que é particularmente grave, considerando-se que o consumo de maconha sintética é relativamente comum entre os adolescentes”.

Os pesquisadores também descobriram que a maioria dos comportamentos de risco à saúde nos domínios de lesão/violência, saúde mental e saúde sexual foram mais prevalentes em estudantes que haviam usado canabioides sintéticos em comparação com os estudantes que haviam usado apenas maconha.

“O uso de maconha sintética pode ser uma indicação de outros comportamentos de risco à saúde e o consumo precoce de maconha pode ser um fator de risco para o consumo de maconha sintética”, disse Heather.

“Embora o estudo não mostre que o uso de maconha sintética causa esses comportamentos de risco, ele ainda assim é importante para que profissionais de saúde e programas escolares de prevenção do uso de drogas se concentrem em estratégias que reduzam o início do uso de maconha e de maconha sintética, particularmente entre jovens com menos de 13 anos de idade”, observou ela.

Nenhum dos dois estudos teve financiamento comercial. Nenhum dos autores declarou possuir conflitos de interesse relevantes ao tema.

Pediatrics. Publicado on-line em13 de março de 2017. Ninnemann et al, Artigo; Clayton et al, Artigo

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