Maconha e álcool associados a notas mais baixas entre universitários

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Lisa Rapaport

 

(Reuters Health) – Um estudo novo associa o uso intenso de álcool e maconha a notas mais baixas entre estudantes universitários.

O uso de drogas foi há tempos vinculado a baixo desempenho, piores taxas de sucesso na graduação e dificuldades em encontrar e manter bons empregos. Este novo trabalho avalia em especial as médias de notas para estudantes norte-americanos que iniciam a faculdade com o mesmo potencial acadêmico, mas usam quantidades diferentes de maconha e álcool.

Em comparação com os jovens abstêmios, estudantes que bebem muito mas não fumam muita maconha tendem a ter notas mais baixas durante o primeiro semestre da faculdade, mas depois conseguem médias de notas semelhantes, segundo a pesquisa. Essa comparação é muito pior para os usuários pesados ​​de maconha e álcool – estes alunos começaram com médias de notas mais baixas do que seus pares sóbrios e continuaram a obter notas piores.

“Ficamos surpresos com o fato de que estudantes que beberam quantidades razoavelmente grandes de álcool isoladamente e fumam só um pouco de Cannabis não tiveram uma diminuição consistente em suas médias”, disse o autor principal do estudo Shashwath Meda, do Olin Neuropsychiary Research Center e do Hartford Hospital em Connecticut.

“Aqueles que usaram drogas moderadamente durante o período da pesquisa foram capazes de se recuperar e apresentar melhor desempenho acadêmico”, acrescentou Meda por e-mail.

Tanto o álcool quanto a maconha podem prejudicar memória, atenção, função executiva e  a capacidade de identificar diferenças visuais e espaciais entre objetos. Isso prejudicar a eficiência ao estudar e reter informações em sala de aula, afirmaram os pesquisadores, no artigo publicado on-line em 8 de março no periódico PLoS ONE.

Eles avaliaram dados de pesquisas mensais sobre uso de álcool e drogas realizadas por 1.142 estudantes ao longo de quatro semestres a partir do primeiro ano de seus cursos universitários. Eles declararam em quantos dias no último mês tinham fumado ou bebido, bem como o número de doses que consumiram em cada ocasião na qual beberam.

Eles classificaram os estudantes em três grupos: jovens abstêmios ou que bebiam e fumavam maconha em quantidades pequenas; jovens que bebiam muito, mas não fumavam muita maconha; e usuários pesados ​​de ambas as substâncias.

Os pesquisadores também obtiveram das faculdades e universidades as médias de notas de cada participante e os resultados dos exames do Scholastic Aptitude Test (SAT), um exame aplicado durante o Ensino Médio nos Estados Unidos, cujos resultados são usados ​​para admissão na faculdade.

Para o primeiro semestre, o grupo de estudantes abstêmio/baixo uso de álcool e maconha teve uma média de notas de 3,1 e os bebedores contumazes ​​tiveram uma média de 3,03, uma diferença estatisticamente significativa, embora ambos sejam aproximadamente equivalentes a uma nota B. Nem todas as faculdades e universidades usam o mesmo processo de classificação.

Os consumidores pesados de álcool e maconha ficaram ainda mais para trás, com uma média de notas de 2,66, equivalente a um B- ou um C+. Os estudantes que reduziram a maconha se saíram melhor ao longo do tempo do que os jovens que permaneceram consumidores pesados de álcool e maconha durante todo o período da pesquisa.

As limitações do estudo incluem a ausência de dados sobre média de notas final e taxas de sucesso na graduação, observam os autores. O estudo também não analisou a dificuldade dos cursos escolhidos pelos alunos, o que poderia ter um impacto na média das notas.

Ainda assim, os resultados sugerem que esforços para limitar o uso de drogas durante o crucial primeiro semestre da faculdade podem ajudar mais estudantes a ter sucesso, concluem os pesquisadores.

“Para muitos estudantes, ter um alto rendimento durante os dois primeiros anos da faculdade lhes confere habilidades e confiança que ajudam a impulsionar seu desempenho durante os últimos anos da graduação”, disse o Dr. Mark Olfson, pesquisador de psiquiatria na Columbia University em Nova York que não estava envolvido no estudo.

“Os novos resultados deixam claro os verdadeiros riscos acadêmicos para os estudantes universitários representados pelo uso combinado de álcool e maconha”, acrescentou o Dr. Olfson por e-mail. “Os pais devem ser encorajados a conversar abertamente sobre álcool e maconha com seus filhos antes destes iniciaremos estudos universitários”.

FONTE: http://bit.ly/2mCtdEc

PLoS ONE 2017.

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