Fadiga relacionada ao câncer: exercício e psicoterapia são a melhor opção

Postado em

Roxanne Nelson

 

ATUALIZADO 2 de março de 2017 // Exercícios e intervenções psicológicas são métodos efetivos para reduzir a fadiga relacionada ao câncer, de acordo com achados de uma nova meta-análise.

Usadas durante e após o tratamento do câncer, essas duas diferentes intervenções foram significativamente melhores do que as opções farmacêuticas disponíveis, que não foram associadas com a mesma magnitude de melhora.

O estudo foi publicado on-line em 2 de março no JAMA Oncology.

A fadiga relacionada ao câncer é um dos efeitos adversos mais comuns e incapacitantes  apresentados pelos pacientes durante e após o tratamento, e pode persistir por anos depois de terminada a terapia ativa.

Os autores do estudo observam que vários ensaios clínicos avaliaram o uso de exercícios, intervenções psicológicas, exercícios mais intervenções psicológicas e intervenções farmacêuticas para a melhora da fadiga relacionada ao câncer. No entanto, embora os resultados desses estudos sejam promissores, “o desenvolvimento e a implementação de diretrizes para prática clínica são desafiadores devido à falta de comparação direta por meta-análise desses quatro tratamentos comportamentais e farmacêuticos comumente recomendados para a fadiga relacionada ao câncer “.

“Nossas evidências mostram que o exercício é a melhor opção de tratamento para a fadiga relacionada ao câncer, assim como intervenções psicológicas”, disse a autora principal Karen M. Mustian, do Wilmot Cancer Institute, University of Rochester Medical Center, Nova York.

“Isso é, de certa forma, contrário ao que geralmente é feito”.

Os medicamentos são frequentemente a opção de primeira linha, disse ela ao Medscape. “Mas esses dados mostram que os medicamentos atualmente conhecidos não são tão efetivos quanto exercícios ou tratamento psicológico”.

Karen observou que essas evidências não avaliaram a sobrevida global ou qualquer aspecto da doença em si. “Foi avaliado apenas quais os melhores tratamentos disponíveis para a fadiga debilitante que acomete os pacientes”.

No estudo atual, Karen e colaboradores conduziram uma meta-análise para determinar quais quatro tratamentos mais comumente recomendados para fadiga relacionada ao câncer conferiam os melhores resultados.

Eles analisaram 113 ensaios clínicos randomizados envolvendo 11.525 pacientes, com quase metade (n = 53, 46,9%) conduzidos em câncer de mama.

Cinquenta estudos (44,2%) recrutaram pacientes com câncer não metastático, 11 (9,7%) incluíram aqueles com doença metastática, e 33 (29,2%) incluíram as duas categorias. Os estudos remanescentes não forneceram informação sobre o estadiamento da doença.

De forma geral, eles encontraram resultados significativamente melhorados na fadiga relacionada ao câncer (tamanho de efeito ponderado, TEP, 0,33; P < 0,001) em todos os estudos incluídos na análise. Isso foi verdadeiro para todos os quatro tipos de intervenção examinados.

A maior melhoria global na fadiga relacionada ao câncer foi observada em estudos que usaram exercícios, com efeitos moderados significativos (TEP 0,30; P < 0,001). Estudos usando intervenções psicológicas também exibiram melhoras semelhantes na fadiga relacionada ao câncer (TEP 0,27; P < 0,001).

A combinação de exercícios com intervenção psicológica também foi efetiva e mostrou resultados semelhantes àqueles observados com as modalidades usadas isoladamente (TEP 0,26; P < 0,001).

Já as intervenções farmacêuticas também trouxeram melhorias significativas, mas que foram muito pequenas (TEP 0,009; P < 0,05).

Quando todas as quatro intervenções foram comparadas, exercícios, intervenções psicológicas, e exercícios mais intervenções psicológicas produziram benefícios significativamente maiores na fadiga relacionada ao câncer em relação às intervenções farmacêuticas.

Variáveis têm um papel

Karen e colaboradores também avaliaram 15 variáveis e como elas foram associadas com a efetividade de diferentes intervenções.

Eles descobriram que a efetividade da intervenção estava associada a oito variáveis: estadiamento do câncer (não metastático, metastático ou misto), condição basal do tratamento (durante o tratamento primário, após o tratamento primário ou misto), formato do tratamento experimental (individual ou em grupo), modo de realização do tratamento experimental (pessoalmente, pessoalmente mais outro, ou sem contato pessoal), modo psicológico (psicoeducacional, cognitivo-comportamental ou eclético), tipo de condição controle, uso de análise de intenção para tratar, e escala de fadiga usada.

Todos os pacientes e sobreviventes incluídos no estudo relataram melhorias na fadiga relacionada ao câncer, mas aqueles em estágio inicial da doença e os pacientes que já haviam completado o tratamento primário relataram os maiores benefícios.

Quanto aos tipos de exercícios usados pelos pacientes, Karen observou que os dados atuais sugerem que os exercícios aeróbicos e anaeróbicos funcionam igualmente bem. “Modalidades como caminhada, treinamento de resistência, ioga e assim por diante pareceram funcionar bem”, disse ela.

O modo mais efetivo de intervenção psicológica para redução da fadiga relacionada ao câncer foi a terapia cognitivo-comportamental, disse ela. “Mas a terapia psicoeducacional e a eclética também funcionaram”.

Para o exercício, as intervenções com exercício aeróbico e anaeróbico foram igualmente efetivas, e os pacientes que ainda estavam recebendo tratamento primário pareceram ter o maior benefício.

Evidências crescentes dão suporte à premissa de que a atividade física regular pode ter um papel protetor e diminui o risco de muitos tipos de câncer. O exercício também pode amenizar efeitos adversos do tratamento, ajuda a recuperar e a reabilitar quando o tratamento termina, e alguns dados mostram que é seguro e benéfico para pacientes com câncer de mama e próstata que estão em tratamento ativo.

Além disso, dois estudos mostraram que os sobreviventes de câncer que são fisicamente ativos não só reduzem os efeitos adversos da quimioterapia mas também melhoram sua qualidade de vida relacionada à saúde.

Mas, apesar das evidências, clínicos não estão prescrevendo exercícios e psicoterapia, e essas intervenções “não são comuns como deveriam ser”, disse Karen. “A terapia farmacológica ainda é geralmente a primeira escolha dos profissionais e dos pacientes, apesar dos melhores efeitos das outras modalidades”.

O estudo foi financiado por fundos do National Cancer Institute. Os autores declararam não possuir conflitos de interesse relevantes.

JAMA Oncol. Publicado on-line em 2 de março de 2017. Resumo

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