Depressão ou demência? Exame de imagem pode resolver o dilema

Postado em

Megan Brooks

 

Um novo estudo sugere que a diminuição do fluxo sanguíneo em regiões específicas do cérebro, visualizado em tomografia computadorizada por emissão de fóton único (SPECT), pode ajudar a diferenciar depressão de transtornos cognitivos.

“Neuroimagem funcional, nesse caso com neuroimagem de perfusão, pode identificar padrões quantificáveis que permitem distinguir depressão de transtornos cognitivos, como demência, com alta acurácia,” disse ao Medscape o pesquisador Dr. Cyrus A. Raji, do Centro Médico da University of California, São Francisco.

“Essa aplicação é importante principalmente em pacientes nos quais os sintomas de depressão podem ser confundidos com demência e vice versa. Trabalhos futuros continuarão a refinar essa abordagem estudando os desfechos,” disse o Dr. Raji.

Esse estudo foi publicado on-line em 15 de fevereiro no Journal of Alzheimer’s Disease.

Dilema diagnóstico

Comprometimento cognitivo está presente em aproximadamente metade dos pacientes com depressão de início tardio, e depressão é observada em 9% a 65% dos indivíduos com demência, notaram os pesquisadores. A prevalência de depressão em pacientes com comprometimento cognitivo leve é de 25%. Entretanto, pode ser “desafiador separar os diagnósticos” de depressão e transtornos cognitivos, escrevem.

Evidências recentes sugerem que o SPECT de perfusão ressalta achados específicos para depressão e transtornos cognitivos. “Portanto, permanece como uma opção viável para separar esses dois grupos de transtornos neurológicos. Entretanto, faltam estudos com SPECT que procurem distinguir casos de demência, transtornos cognitivos, e comorbidades,” dizem.

Para investigar o assunto, Dr. Raji e colegas estudaram 4541 adultos velhos com depressão e/ou transtorno cognitivo (doença de Alzheimer, demência vascular, demência não especificada, e transtorno amnésico não especificada). Os transtornos foram determinados com base nos critérios diagnósticos do DSM-IV. Ao todo, 847 pacientes tinham algum transtorno cognitivo, 3269 tinham depressão, e 425 sofriam de depressão e transtorno cognitivo.

No geral, a perfusão estava diminuída em múltiplas regiões cerebrais nos indivíduos com transtornos cognitivos em comparação com os pacientes com demência. Essas regiões incluíam o hipocampo, a amigdala, e as regiões frontal e temporal, entre outras, reportaram os pesquisadores. O grupo com transtorno cognitivo e depressão geralmente apresentava hipoperfusão mais acentuada nessas regiões em comparação com aqueles com apenas um dos dois diagnósticos.

“A acurácia das probabilidades calculadas por análise discriminante linear para diferenciar transtornos cognitivos de depressão foi de 86% com uma acurácia por validação cruzada leave-one-out de 83%”. A área sob a curva foi 86% com sensibilidade de 80% e especificidade de 75%,” escrevem eles no artigo.

A análise discriminante distinguiu depressão e transtornos cognitivos de casos de comorbidades com classificação correta em 90,8% dos casos com, uma acurácia validada por cruzamento de 88,6%. A área sob a curva foi 83% com sensibilidade de 80% e especificidade de 70%.

Distinguir depressão de transtornos cognitivos é uma “questão clínica crítica com implicações práticas para o manejo e o tratamento dos pacientes,” disse o pesquisador principal Dr. Daniel G. Amen, da Amen Clinics, Costa Mesa, Califórnia, em uma declaração à imprensa. “Esses transtornos têm prognósticos e tratamentos bastante diferentes, e ser capaz de melhorar a acurácia diagnóstica pode melhorar o desfecho para alguns pacientes.”

Ressalvas

Comentando os achados para o Medscape, o Dr. Davangere Devanand, professor de psiquiatria e neurologia no Columbia University Medical Center, de Nova York, notou que distinguir demência de depressão “pode ser difícil clinicamente, portanto, os achados de SPECT desse estudo são potencialmente úteis.”

Clinicamente, entretanto, “se alguém tem demência, isso é geralmente óbvio para o médico, a enfermeira ou o assistente que fala com o paciente por alguns minutos. Então o diagnóstico de imagem não é necessário na maioria dos casos; ele se torna útil em pacientes com perda de memória leve, quando o diagnóstico não está claro,” disse o Dr. Devanand.

“Outro ponto sobre SPECT é que a diminuição do fluxo sanguíneo piora com a progressão da demência. Então se eles incluíram um grande número de pacientes com demência moderada a severa, os resultados eram esperados,” ele afirmou.

Dr. Devanand também notou que a diferença de idade estatisticamente significante entre o grupo depressivo (idade média, 59 anos) e o grupo com transtorno congnitivo (idade média, 68 anos) “pode ser responsável pelos achados, pois conforme envelhecemos, temos uma diminuição do fluxo sanguíneo cerebral em função da idade, não necessariamente em função de demência.”

Ele adverte que os resultados do estudo são baseados em “análises estatísticas complexas que não estão disponíveis para os radiologistas e especialistas em medicina nuclear, que analisam os exames SPECT visualmente.”

O estudo foi financiado pela Amen Clinics, de propriedade do Dr. Daniel Amen. Dr. Raji recebeu honorários de consultoria de Change Your Brain Change Your Life Foundation e Brainreader ApS.

J Alzheimers Dis. Publicado on-line em 15 de fevereiro de 2017. Resumo

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