Cefaleia é sintoma mais comum do que se pensava no acidente vascular encefálico em crianças

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Megan Brooks

HOUSTON, Texas — Crianças têm probabilidade muito maior do que adultos de apresentar cefaleia no início do acidente vascular encefálico arterial isquêmico (AVEi), mostra uma nova pesquisa.

O acidente vascular encefálico em crianças é raro, mas deve ser considerado como um possível diagnóstico em qualquer criança com cefaleia e sintomas ou sinais neurológicos focais de início recente, disse a pesquisadora principal, Dra. Lori L. Billinghurst, professora assistente clínica de neurologia na University of Pennsylvania, Filadélfia.

O diagnóstico de AVE em crianças é confundido por seus diferenciais, mais comumente com migrânea com aura, seguido de paralisia de Bell e transtorno de conversão, explicou ela. “Exame de imagem do encéfalo pode ser necessário com urgência para distinguir uma enxaqueca com aura de um AVE”, observou a Dra. Lori.

Dra. Lori L. Billinghurst

Ela relatou os resultados do estudo na International Stroke Conference (ISC) de 2017.

Estudo VIPS

Entre 355 crianças (com idades entre 29 dias e 18 anos) com AVEi inscritas no estudo multicêntrico Vascular Effects of Infection in Pediatric Stroke (VIPS), a cefaleia era incomum em crianças menores de três anos (5 de 90, ou 6%), mas estava presente em quase metade das crianças com três anos ou mais (108 de 265, ou 46%).

A Dra. Lori observou que crianças menores de três anos podem não ser capazes de informar se estão apresentando cefaleia. Ela também observou que a porcentagem de crianças maiores que relatam cefaleia no início do AVE isquêmico é muito maior do que em adultos com AVE isquêmico (46% em relação a 25%).

Em crianças a partir de três anos de idade, os infartos ocorreram com maior frequência na artéria cerebral posterior (23%) e na artéria cerebelar superior (13%). Quase metade dos infartos ocorreu no lado direito (48%).

Após a exclusão de 31 crianças com apresentação duvidosa de cefaleia, não houve diferença significativa na prevalência deste sintoma no AVEi em crianças de três anos ou mais com arteriopatia definitiva (46 de 92, ou 50%), possível (15 de 24, ou 63%), ou ausente (60 de 118, ou 51%) (P = 0,53).

No entanto, em pacientes com arteriopatia definitiva, a cefaleia foi mais comumente associada a dissecção arterial e a arteriopatia cerebral transitória da infância (70% cada; P > 0,001). Cefaleia aguda foi incomum em crianças com moyamoya (12%).

“É possível que os cérebros mais jovens tenham vasos sanguíneos que são mais facilmente distendidos e têm maior probabilidade de ativar sensores de dor que desencadeiam a cefaleia”, disse o a Dra. Lori em um comunicado à imprensa.

“Também é possível que a inflamação – um poderoso ativador de sensores de dor – possa ser mais importante nos processos subjacentes ao AVE em crianças do que em adultos”, acrescentou ela. “O estudo VIPS já mostrou que a inflamação desempenha um papel fundamental na via de lesão vascular em crianças com acidente vascular encefálico”.

“Faremos mais pesquisas para ver se há diferenças nos marcadores sanguíneos de inflamação naquelas com e sem cefaleia no momento do AVE”, disse ela.

A cefaleia é sintoma pouco reconhecido no AVE

Solicitado a comentar, Dr. Sami Saba, neurologista do Lenox Hill Hospital, em Nova York, observou que frequentemente a cefaleia é um sintoma “pouco reconhecido” de AVE, “mesmo por neurologistas e médicos da emergência, que provavelmente são os profissionais que fazem a primeira avaliação de pacientes com potencial AVE.”

“Este estudo mostra que a cefaleia no início do AVE é mais comum em crianças do que em adultos – em cerca de 50% dos casos”, disse o Dr. Saba ao Medscape. “O AVE é muito menos comum em crianças do que em adultos, mas ainda ocorre; quando ocorre, é mais provável que seja atribuído a uma anormalidade dos vasos sanguíneos”.

Ele disse que mais pesquisas são necessárias “para desenvolver diretrizes que possam ajudar a prever a ocorrência de AVE em uma criança com cefaleia, com base nas características da cefaleia, bem como em outros sintomas associados. Espera-se que a detecção precoce leve ao tratamento precoce, a melhores resultados e a menor incapacidade pelo AVE”.

O estudo VIPS foi financiado pelo National Institute of Neurological Disorders and Stroke. A Dra. Lori declarou não possuir conflitos de interesse relevantes.

International Stroke Conference (ISC) de 2017. Resumo 174. Apresentado em 22 de fevereiro de 2017.

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