Intervenção de manutenção desacelera novo ganho de peso em pacientes obesos

Postado em

Diana Phillips

Uma intervenção feita primariamente por telefone e focada no comportamento para a manutenção da perda de peso reduziu a taxa de recuperação de peso entre indivíduos obesos que tiveram uma perda ponderal clinicamente significativa em um programa estruturado, mostrou um ensaio randomizado controlado.

Os pesquisadores do Durham Veterans Affairs (VA) Medical Center e do Duke University Medical Center, em Durham, Carolina do Norte, compararam a eficácia da intervenção após perda de peso com o tratamento convencional entre pacientes que perderam pelo menos 4 kg durante um programa de quatro meses. Com 56 semanas, a recuperação de peso média estimada entre o grupo de intervenção foi significativamente menor que no grupo controle, relatam a autora principal Corrine I. Voils, da University of Wisconsin–Madison, e colaboradores, em um artigo publicado on-line em 21 de fevereiro nos Annals of Internal Medicine.

Diferentemente dos programas de manutenção baseados em comportamento e com muitos recursos, a intervenção atual foi elaborada “para ajudar os participantes a adotarem habilidades específicas de manutenção e fazê-lo de forma a utilizar poucos recursos”, escrevem os autores.

“Os participantes mantiveram o peso mesmo depois que a intervenção diminuiu de frequência, mudou da abordagem pessoal para contato por telefone, e deixou de envolver contato de intervenção nas últimas 14 semanas”.

Os pesquisadores designaram aleatoriamente 222 pacientes ambulatoriais obesos (índice de massa corporal ≥30 kg/m2) que perderam 4 kg ou mais de peso corporal durante um programa em grupo de 16 semanas para receber a intervenção de manutenção ou o tratamento usual. Os pacientes foram recrutados de três clínicas de atenção primária do VA Medical Center em Durham e Raleigh, na Carolina do Norte.

A intervenção ocorreu durante um período de 42 semanas e foi seguida por 14 semanas sem contato pessoal. Ela foi baseada em um modelo conceitual desenvolvido anteriormente por Corrine e colaboradores, que distingue o início do comportamento da manutenção. O programa de manutenção incluiu três sessões de grupo e oito contatos telefônicos individuais. As sessões de grupo focaram em manutenção da ingestão calórica, autocontrole do peso, atividade física, apoio social e prevenção de recaídas. As ligações focaram em satisfação com os resultados, planejamento da prevenção de recaídas, autocontrole e apoio social, escrevem os autores.

Aqueles aleatoriamente designados aos cuidados habituais não receberam mais intervenção após o programa de perda de peso, o que, segundo os autores, é “o que tipicamente ocorre com o paciente”.

A população de estudo consistiu predominantemente em pacientes do sexo masculino de meia-idade que já haviam tentado perder peso.

Com 42 semanas, a recuperação de peso do grupo intervenção foi significativamente menor que a do grupo controle, com uma diferença média estimada de 1,67 kg (IC de 95%, 0,18 – 3,17 kg; P = 0,029). De forma semelhante, com 56 semanas, a recuperação de peso estimada para o grupo de intervenção foi de 0,75 kg, significativamente inferior aos 2,36 kg observados no grupo de tratamento usual (diferença média estimada, 1,60 kg, IC de 95%, 0,07-3,13 kg; P = 0,040).

Os pesquisadores também compararam ingestão calórica autorrelatada, caminhada e atividade física moderada entre os grupos intervenção e tratamento usual, e observaram uma diferença significativa entre os grupos na ingestão calórica autorrelatada apenas na semana 26, com o grupo de intervenção relatando uma ingestão média estimada de 1176,06 kcal em comparação com 1399,50 kcal para o grupo de tratamento usual (diferença média estimada, -223,44 kcal, IC, -395,92 a -50,96 kcal, P = 0,011).

A diferença entre os grupos no consumo de calorias não foi mais significativa com 56 semanas, e também não houve diferenças significativas entre grupos (em nenhum momento) nas taxas estimadas de caminhada ou de atividade física ou na circunferência abdominal estimada, relatam os autores.

“A ausência de diferenças estatisticamente significativas nos desfechos secundários na semana 56 podem ser resultado de erros de mensuração devido à confiabilidade e à validade limitadas das medidas autorrelatadas de ingestão dietética e de atividade física”, escrevem os autores. “Além disso, os planos comportamentais dos participantes para manter a perda de peso variaram se eles focaram em manter um padrão dietético constante ou incorporar atividade física, o que pode ter mascarado as diferenças de tratamento nos dois comportamentos”.

A intervenção foi desenhada para ter baixo custo “de forma que mais recursos pudessem ser dirigidos para a perda de peso inicial em comparação com a manutenção” e tendo a implementação em mente, de acordo com os autores. “O roteiro da intervenção é padronizado de forma que pode ser programado em um software personalizado, e armazenar as respostas dos participantes para referência futura”. O programa também permite aos participantes que recuperam peso além de um limiar estabelecido, voltar o foco aos processos de iniciação da perda de peso, observam eles”.

Pesquisas futuras devem avaliar os efeitos de longo prazo da intervenção e determinar até quando é necessária a intervenção contínua para ajudar os pacientes a manterem a perda ponderal, sugerem os autores. Além disso, são necessários estudos elaborados para avaliar a eficácia de outras estratégias comportamentais de manutenção, bem como para estudar formas pelas quais tais intervenções podem ser integradas à prática clínica, “como identificar um processo apropriado de referência, abordando barreiras à iniciação e retenção em um programa amplo de controle do peso, e identificando o treinamento ideal da equipe e os processos de monitoramento da fidelidade”, escrevem.

“Ao incorporar uma intervenção de manutenção do peso em programas de perda de peso clínicos ou comerciais é possível aumentar o efeito deles”, concluem os autores.

Este estudo foi financiado por uma doação do Department of Veterans Affairs Health Services Research and Development dos EUA. Um coautor relata apoio não financeiro da Amgen. Um coautor relata taxas pessoais de University of Pennsylvania e Weight Watchers International. Corrine e os demais coautores declararam não possuir conflitos de interesse relevantes.

Ann Intern Med. Publicado on-line em 21 de fevereiro de 2017. Resumo

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