Perda de peso e menos fogachos com novo programa após a menopausa

Postado em

Liam Davenport

Um programa de atividades combinando treinamento com exercícios cardiometabólicos e intervenções psicológicas melhora o condicionamento e a qualidade de vida em mulheres na pós-menopausa, mesmo as previamente sedentárias, de acordo com resultados de um novo estudo randomizado.

Embora existam evidências crescentes sugerindo que um estilo de vida ativo melhora a saúde, a qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS), e o condicionamento físico em mulheres na pós-menopausa, os benefícios nem sempre chegam a ser estatisticamente significativos nos estudos, e os achados têm sido muitas vezes contraditórios.

Agora Débora Godoy-Izquierdo, Departamento de Personalidade, Avaliação e Tratamento Psicológico, da Faculdade de Psicologia, Universidade de Granada (Espanha), e colaboradores, descobriram que uma intervenção elaborada para promover a adesão a intervenções padrão de exercícios levou a melhorias significativas no condicionamento cardiometabólico e na saúde mental, incluindo perda de peso e redução de fogachos.

A equipe diz: “A combinação de um programa de exercícios supervisionado, adaptado e com múltiplos componentes, com educação em saúde e promoção da saúde, aumentou a qualidade de vida relacionada à saúde em mulheres na pós-menopausa, em termos de bem-estar físico, psicossocial e relacionado à menopausa. Além disso, o exercício regular sustentado ofereceu diversos benefícios cardiometabólicos e de condicionamento, principalmente flexibilidade”.

A pesquisa foi publicada on-line em 15 de fevereiro no periódico Menopause.

A Dra. JoAnn Pinkerton, diretora-executiva da North American Menopause Society, que publica o periódico, observou que “evidências crescentes indicam que um estilo de vida ativo com exercícios regulares aumenta a saúde, a qualidade de vida e a forma física em mulheres na pós-menopausa.”

“Resultados documentados mostraram menos fogachos, melhora no humor e que, no geral, as mulheres se sentem melhor, enquanto os riscos à saúde diminuem”, apontou ela em um comunicado à imprensa.

Três sessões de uma hora de exercícios por semana

Os pesquisadores recrutaram 234 mulheres na pós-menopausa na Espanha com idades entre 45 e 64 anos que tinham pelo menos 12 meses da menopausa, e que não haviam usado terapia hormonal nos três meses anteriores.

Entre o grupo estavam 166 mulheres com pelo menos 12 meses de comportamento sedentário, que foram randomizadas para intervenção ou um grupo de controle sedentário, enquanto as 68 restantes que se exercitavam regularmente foram alocadas em um grupo controle ativo.

A intervenção consistiu em programas de exercícios regulares, supervisionados e adaptados, com múltiplos componentes, de três sessões de uma hora por semana em dias alternados, com duração média de 20 semanas.

As sessões incluíram, entre outros elementos, condicionamento cardiorrespiratório aeróbico e treinamento de resistência muscular, e foram complementadas por intervenção psicológica para facilitar a mudança comportamental, juntamente com intervenções de auto planejamento para promover a adesão.

A Escala Cervantes foi utilizada para medir a qualidade de vida relacionada à saúde, com foco em quatro domínios: menopausa e saúde (incluindo os subdomínios sintomas vasomotores, estado geral de saúde e subescalas de envelhecimento e saúde); bem-estar mental; sexualidade; e relacionamentos íntimos.

E vários testes da bateria EUROFIT foram empregados para determinar os níveis de condicionamento, incluindo altura e peso, circunferências abdominal e do quadril, pressão arterial, função cardíaca, força e flexibilidade.

Entre as avaliações inicial e pós-intervenção, as mulheres no grupo de intervenção tiveram uma melhoria significativa nas pontuações gerais de qualidade de vida relacionada à saúde, com uma redução média de 16% (P < 0,001), que foi mantida nos seguimentos com três e 12 meses.

Melhorias no grupo de intervenção foram observadas principalmente nos domínios da menopausa, saúde e bem-estar mental, e nos subdomínios de sintomas vasomotores, estado geral de saúde e envelhecimento e saúde.

Altas taxas de adesão

No início do estudo, os parâmetros cardiometabólicos e de condicionamento eram comparáveis ​​entre o grupo de intervenção e o grupo controle sedentário, com os dois grupos menos aptos que as mulheres no grupo controle ativo.

Durante o seguimento, mulheres no grupo de intervenção tiveram melhorias significativas no estado cardiometabólico e no condicionamento, incluindo medidas de peso, índice de massa corporal (IMC), condicionamento cardiorrespiratório e flexibilidade, de forma que estavam mais próximas do grupo controle ativo no décimo segundo mês de acompanhamento.

“Com cerca de 20 semanas de exercício físico adaptado, regular e supervisionado, é possível alcançar uma redução modesta, mas significativa de peso e IMC em mulheres na pós-menopausa, e essas alterações estão associadas a melhor estado de saúde e reduções na piora da qualidade de vida relacionada à saúde que está associada ao sobrepeso e à obesidade na pós-menopausa”, observam os pesquisadores.

“Nossos resultados indicam que o exercício ajuda as mulheres a tratar os sintomas vasomotores, um dado que não tinha evidências prévias conclusivas”, acrescentam eles.

Observando também que as pesquisas anteriores foram prejudicadas por altas taxas de abandono, a equipe escreve: “No presente estudo, as altas taxas de adesão ao regime de exercícios podem ser parcialmente atribuídas à exaustiva intervenção oferecida a essas participantes, com os objetivos de melhorar a aceitação, e prevenir e lidar com o abandono”.

Eles concluem: “Os resultados demonstram que quando uma intervenção paralela bem elaborada e individualmente adaptada é oferecida aos iniciantes, ela os ajuda a adotar mais facilmente um hábito de exercício, e serve para evitar o sedentarismo e o abandono da atividade física, algo frequentemente observado entre mulheres na pós-menopausa”.

A pesquisa recebeu financiamento do Ministerio de Ciencia e Innovación MICINN IþDþI, e assistência financeira fornecida ao grupo de pesquisa Psicología de la Salud/Medicina Conductual pela Consejería de Innovación, Ciencia y Empresa, Governo da Andaluzia, Espanha. Os autores declaram não possuir conflitos de interesse relevantes.

Menopause. Publicado on-line em 15 de fevereiro de 2017. Resumo

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