Novas diretrizes sobre tratamento da obesidade infantil

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Pam Harrison

 

Uma força-tarefa da Endocrine Society dos Estados Unidos publicou um conjunto de diretrizes atualizadas de prática clínica para avaliação, tratamento e, talvez o mais importante, prevenção da obesidade na infância e na adolescência.

“A obesidade pediátrica permanece sendo uma grande preocupação de saúde internacionalmente, afetando cerca de 17% das crianças e adolescentes dos EUA e ameaçando a saúde na idade adulta e a longevidade deles”, escrevem o Dr. Dennis Styne, University of California, Davis, Sacramento, com seus colaboradores nas novas diretrizes, publicadas na edição de março no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism. Elas foram formuladas em conjunto pela European Society of Endocrinology e pela Pediatric Endocrine Society.

“Desde a publicação das diretrizes originais oito anos atrás, foram acrescentadas 1778 referências ao PubMed a respeito de obesidade em pediatria, e incorporamos os dados mais relevantes delas para atualizar e aprimorar o texto original, disse o Dr. Styne.

A boa notícia é que, como previamente relatado pelo Medscape, as taxas de obesidade infantil nos Estados Unidos parecem ter estabilizado nos últimos anos.

A notícia não tão boas é que os membros da força-tarefa foram obrigados a adicionar novas definições para “obesidade extrema”, um grupo que infelizmente continua a aumentar em prevalência.

As crianças com idade maior que dois anos são consideradas extremamente obesas se têm um índice de massa corporal (IMC) ≥120% do percentil 95 ou ≥35 kg/m2, dependendo da etnia.

Uma criança ou adolescente cujos valores de IMC estão entre os percentis 85 e 95 para idade e sexo é considerada como sobrepeso, enquanto aquelas cujo IMC está acima do percentil 95 para idade e sexo são consideradas obesas. Crianças abaixo de dois anos de idade são consideradas obesas se a relação específica por sexo do peso pelo comprimento for maior ou igual ao percentil 97,7 nos gráficos da Organização Mundial da Saúde, observam os membros da força-tarefa.

Avalie crianças obesas para comorbidades

Os membros da força-tarefa recomendam que os médicos avaliem rotineiramente crianças e adolescentes ao atingirem um IMC igual ou acima do percentil 85 em busca de comorbidades comuns relacionadas à obesidade, como pré-diabetes ou diabetes, dislipidemia e hipertensão.

Por outro lado, eles aconselham a não solicitar exames laboratoriais de rotina na tentativa de identificar as poucas e raras causas endócrinas que resultam em obesidade pediátrica, a menos que justificado por características clínicas sugestivas.

Da mesma forma, para as causas genéticas de obesidade infantil e adolescente, os exames genéticos devem ser limitados a crianças com obesidade precoce, história familiar de obesidade extrema, ou hiperfagia, um apetite anormalmente aumentado, aconselham.

Assim como nas diretrizes anteriores, os membros da força-tarefa colocam ênfase considerável na prevenção da obesidade, argumentando que “é difícil alcançar resultados eficazes e duradouros com modificação do estilo de vida uma vez que a obesidade está instalada.”

A pedra angular para prevenção e tratamento da obesidade é, naturalmente, o estilo de vida.

A prevenção é melhor que a cura

Aqui, como detalham os membros da força-tarefa, a estratégia precisa ser multifacetada e direcionada não apenas à criança ou adolescente, mas à família dela, e ao contexto educacional e social em que vivem.

Os clínicos, por exemplo, precisam prescrever e, posteriormente, apoiar hábitos alimentares saudáveis, a maioria deles evidentes, incluindo evitar alimentos e bebidas ricos em calorias e com poucos nutrientes. Os pacientes também devem ser desencorajados a beliscar constantemente, especialmente após a escola e o jantar, e os pais devem ser incentivados a planejar refeições regulares.

Aumentar os níveis de atividade também é crítico para o controle de peso. Crianças e adolescentes precisam realizar um mínimo de 20 minutos por dia – idealmente 60 minutos – de atividade física vigorosa, pelo menos cinco dias por semana.

Aspectos menos óbvios que contribuem para uma estratégia geral de estilo de vida saudável incluem a promoção de padrões de sono saudáveis. Os pais também devem ser encorajados a limitar o tempo dos filhos diante de uma tela (fora das tarefas escolares) a não mais de duas horas ao dia, e desencorajar outros comportamentos digitais sedentários.

Reconhecendo o impacto psicológico que muitas vezes acompanha a obesidade, os membros da força-tarefa recomendam que crianças e adolescentes sejam avaliados quanto à presença de problemas psicossociais, caso suspeitem de que tais questões estejam ocorrendo.

Os profissionais de saúde também devem abordar a dinâmica familiar e tentar diagnosticar qualquer padrão de criação inadequado que possa contribuir para a obesidade de uma criança.

Cirurgia bariátrica deve ser última opção

Em contraste com as diretrizes anteriores, os membros da força-tarefa já não recomendam o aleitamento materno para prevenir a obesidade, uma vez que as evidências que embasavam as recomendações anteriores para isso foram consideradas fracas.

E “todos menos um dos agentes farmacológicos para tratamento da obesidade não são aprovados até os 16 anos de idade”, advertem os membros da força-tarefa.

No entanto, se um médico determina que as intervenções no estilo de vida simplesmente não estão funcionando, ele pode usar a terapia farmacológica desde que tenha experiência no uso desses agentes.

Finalmente, as evidências delinearam cada vez mais os benefícios e os riscos da cirurgia bariátrica em adolescentes e os membros da força-tarefa detalham várias opções cirúrgicas nas novas diretrizes.

No entanto, caso seja considerado, o procedimento bariátrico deve ser realizado somente em pacientes com a puberdade completa, e com comorbidades graves relacionadas à obesidade.

O paciente e a família dele também devem estar altamente motivados a perder peso e a se comprometer a aderir às exigências de longo prazo que acompanham qualquer procedimento bariátrico, enfatizam os autores do texto.

“Apesar de um aumento significativo em pesquisas sobre a obesidade pediátrica desde a publicação inicial dessas diretrizes há oito anos, são necessários mais estudos sobre os fatores genéticos e biológicos que aumentam o risco de ganho de peso e influenciam a resposta às intervenções terapêuticas”, observam o Dr. Styne e colaboradores.

“Atenção especial para determinar formas de realizar mudanças sistêmicas nos ambientes alimentares e na mobilidade total diária, bem como métodos para manter mudanças saudáveis do IMC” são de suma importância, concluem.

As diretrizes foram financiadas pela Endocrine Society. O Dr. Styne declarou não possuir conflitos de interesse relevantes. As declarações para os coautores estão listadas no artigo.

J Clin Endocrinol Metab. Publicado on-line em 31 de janeiro de 2017. Resumo

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