Sobreviventes de câncer enfrentam barreiras para se manterem fisicamente ativos

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Nick Mulcahy

 

Três quartos (75%) dos pacientes com câncer relataram níveis reduzidos de atividade física após o diagnóstico, comparado com a condição antes do adoecimento, apontaram os resultados de uma nova pesquisa feita com 662 pacientes de 12 hospitais dos Estados Unidos.

Ajudar pacientes a retornarem ao nível de exercício prévio ao adoecimento ou mesmo melhorá-lo pode ser gratificante, disse a autora principal Sally A.D. Romero, pesquisadora de pós-doutorado no Memorial Sloan Kettering Cancer Center,em Nova York.

Pesquisas recentes mostraram que formas moderadas de atividade física podem ajudar os pacientes com câncer a se sentirem melhor e, em alguns casos, pode melhorar os desfechos, disse a pesquisadora. Atualmente, os sobreviventes de câncer são aconselhados a realizar 30 minutos de atividade moderada por cinco dias na semana.

O desafio de manter ou exceder o nível de atividade anterior pode ser superado, sugeriu ela. No novo estudo, 16% mantiveram os níveis de atividade prévios, e 4% aumentaram a prática de atividade física.

Sally falou durante uma sessão para a imprensa, que precedeu o Cancer Survivorship Symposium de 2017, realizado no fim de janeiro, em San Diego, Califórnia, onde o estudo foi apresentado.

No novo estudo, os autores procuraram identificar o paciente e as características clínicas associadas a piora nos níveis de atividade, assim como o que os próprios pacientes apontaram como barreiras para seguir fisicamente ativo.

Uma redução no nível de atividade esteve significativamente associada com duas características: prescrição de quimioterapia (odds ratio, OR, ajustada de 3,54; intervalo de confiança, IC, de 95%, 2,06 – 6,06) e diagnóstico de doença metastática (OR ajustada de 1,64; IC de 95%, 1,07 – 2,52). Notadamente, nem o índice de massa corporal nem a idade foram associados à redução da atividade após o diagnóstico.

As barreiras para permanecer fisicamente ativo foram específicas por câncer e mais generalizadas.

Em uma pesquisa transversal, os pacientes relataram que a fadiga associada ao tratamento (72%) e a dor (71%) foram os dois principais fatores que os fizeram desacelerar com os exercícios. Mas as questões psicológicas comuns, de baixa motivação (67%) e pouca disciplina (65%) foram as barreiras três e quatro para a prática de atividades físicas.

Efeitos colaterais relacionados ao tratamento (51%) e náuseas (35%) foram a quinta e sexta razões, seguidas por tristeza (32%) e falta de tempo (29%). Complicações cirúrgicas (22%), falta de dinheiro (20%), falta de um ambiente seguro (11%) e “meu médico disse para não fazer” (6%) completaram a lista.

O novo estudo acrescenta informações para a literatura sobre sobreviventes de câncer, disse a Dra. Merry Jennifer Markham, da University of Florida, Gainesville e uma especialista da ASCO, que moderou a sessão.

“Nós não conhecíamos as barreiras para atividade física entre os sobreviventes”, disse ela.

“Equipes de tratamento do câncer precisam ajudar os pacientes a pensarem sobre a atividade física de novas formas, personalizando o próprio tratamento”, disse Sally, a autora do estudo.

A Dra. Merry concordou com esse comentário em uma declaração para a imprensa: “Pacientes que eram corredores antes do diagnóstico podem considerar longas caminhadas. É uma questão de ajustar a conversa e o plano de exercícios para cada indivíduo”.

Metade dos pacientes do estudo foram recrutados de 11 hospitais comunitários e metade de um centro acadêmico urbano na Filadélfia, Pensilvânia. A maioria dos pacientes era composta por mulheres (65%), em união estável (65%) e com sobrepeso (65%). A média de idade foi de 59,9 anos.

Os tipos mais comuns de câncer foram mama (32%), pulmão/tórax (15%) e hematológicos (15%). A maioria dos pacientes recebeu quimioterapia (88%), radioterapia (53%) e/ou cirurgia (53%).

Mais da metade do grupo de pesquisa teve um diagnóstico sem metástases e tinha mais de 12 meses de diagnóstico. “Eu esperava que mais pacientes estariam mantendo o nível de atividade física”, disse Sally sobre aqueles que estavam haviam recebido o diagnóstico mais de um ano atrás. O fato de que apenas uma minoria dos sobreviventes manteve seu nível de atividade foi “surpreendente”, disse ela.

Os achados têm amplas implicações, também sugeriu ela, pois atualmente existem mais de 15 milhões de sobreviventes de câncer nos Estados Unidos.

Muitos centros designados pelo National Cancer Institute oferecem e estão expandindo programas de exercícios personalizados para pessoas com câncer e sobreviventes, de acordo com uma declaração à imprensa.

Os pesquisadores declararam não possuir conflitos de interesse relevantes.

Cancer Survivorship Symposium de 2017. Resumo 116. Apresentado em 27 de janeiro de 2017.

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