Campanha contra câncer de mama usando imagens de limões viraliza na internet

Postado em

Liam Davenport

A campanha usando imagens de limões para ensinar as mulheres a reconhecerem os sinais e sintomas do câncer de mama e quebrar o tabu sobre falar da doença viralizou nas redes sociais e tem sido usada para esclarecer as pessoas em todo o mundo.

A campanha #KnowYourLemons, da organização filantrópica Worldwide Breast Cancer , utiliza um conjunto de elementos visuais facilmente compreensíveis, no qual as imagens de limões foram adaptadas para ilustrar as 12 principais alterações visíveis nas mamas que podem indicar câncer.

A campanha, idealizada por uma jovem designer que perdeu as duas avós para a doença, agora viralizou na Internet– a imagem ilustrando as modificações que ocorrem na mama foi vista mais de três milhões de vezes no Facebook e foi compartilhada mais de 40.000 vezes.

Além disso, a campanha tem sido destaque em outdoors em todo o mundo, incluindo Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália, África do Sul, Holanda e Polônia.

Mas qual é o segredo do sucesso dessa campanha em alcançar tantas pessoas?

Corrine Ellsworth Beaumont, fundadora e diretora da organização filantrópica Worldwide Breast Cancer, acredita que seja porque a campanha utiliza recursos visuais, em vez de blocos de texto, para aproveitar o poder dos princípios do design moderno.

Corrine explicou ao Medscape que muitas pesquisas têm mostrado que os pacientes se lembram muito pouco, somente de 14%, do que é dito durante as consultas, mesmo para as doenças não letais.

Além disso, ela disse que uma parte significativa das pacientes “não sabe muito sobre saúde”, e muitas se sentem desconfortáveis ao falar de das próprias mamas e conversar sobre o câncer, mesmo com amigos e familiares.

“A comunicação visual corta caminho por ser muito amigável e acessível”, disse Corrine. “As pacientes podem olhar a imagem e ver limões, porém interpretá-los como sendo mamas”.

“Não é evidente, e eu acho que é por isso que ela se tornou tão popular, porque a imagem é compreendida em segundos, sem que seja necessário combater todos os obstáculos colocados pelo tabu, pelo medo e por um texto enorme”.

Corrine não esperava que a campanha viralizasse. Ela disse que simplesmente “esperava poder alcançar o maior número possível de mulheres “.

Ela continuou: “Normalmente, a maneira como essas campanhas de saúde pública são projetadas é dirigir-se a um público-alvo específico, de modo que dizem: ‘Ok, vamos tentar alcançar este grupo, por isso vamos criar uma campanha para eles’, etc”.

“Eu queria criar uma campanha que não segmentasse o público-alvo, queria encontrar uma maneira de apresentar as informações de modo a não atrair pessoas apenas de determinada faixa etária ou de determinada escolaridade ou de determinado grupo étnico”.

Emma Shields, chefe do setor de informação da principal organização filantrópica, a Cancer Research UK , comentou a iniciativa ao Medscape: “É muito bom ver uma campanha de sensibilização sobre o câncer da mama e alguns dos seus sintomas, já que o diagnóstico da doença em estágio inicial dá às mulheres a melhor chance de sobrevivência”.

Mesmo observando que o câncer de mama é mais comum entre pessoas mais velhas –quase metade de todos os casos da doença no Reino Unido ocorre nas mulheres com mais de 65 anos — ela disse: ‘Não importa a sua idade, é uma boa ideia conhecer as próprias mamas, para saber o que é normal para você. Mas você não precisa examiná-las de um jeito específico em em um momento predefinido’.”

Ela também observou: “Graças à pesquisa, melhores terapias e um diagnóstico mais precoce significam que mais mulheres do que nunca estão sobrevivendo à doença.

A enfermeira Carolyn Rogers é especialista em clínica da mama na instituição filantrópica UK Cancer Care , que oferece informações e apoio para pessoas com diagnóstico de câncer de mama, inclusive uma linha telefônica gratuita para apoiar as pacientes.

Ao Medscape, ela disse que qualquer coisa que ative a memória e “ajude as mulheres a lembrar de permanecerem atentas a quaisquer mudanças em suas mamas ao longo da vida” é bem-vinda.

Ela destacou que para os profissionais de saúde a campanha #KnowYourLemons pode ter algum efeito em termos de prestação de serviços.

“Essas grandes campanhas são excelentes, mas para os profissionais de saúde, o impacto está em quem irá procurar o ambulatório e quem irá marcar consulta com o médico”.

Ela acrescentou: “Embora possamos incentivar todas as pessoas a procurarem o médico se notarem alguma modificação da aparência ou da sensação nas mamas, a coisa mais importante a saber é que a maioria das mulheres não terá câncer de mama”.

Campanha feita por anos a fio

Corrine começou a trabalhar na campanha #KnowYourLemons há mais de 15 anos, após perder as duas avós para o câncer de mama. Essas mortes despertaram nela a necessidade de saber mais sobre a doença.

“Eu tinha vinte e poucos anos, fui a uma biblioteca sobre o câncer e perguntei: ‘O que preciso saber sobre o câncer de mama’? E a pessoa que trabalha lá disse: ‘Eu realmente não sei o que dizer, porque ninguém da sua idade vem aqui’,” lembrou ela.

Corrine explicou que, ao ir à biblioteca, ela tinha várias perguntas em mente: “Estou em risco? Quando preciso começar o rastreamento? Qual é a sensação de um nódulo? O que devo procurar (e quando) sobre o câncer de mama”?

Depois de ler todos os panfletos e sites de divulgação que encontrou, Corrine ficou com mais perguntas do que quando começou sua pesquisa.

Ela disse: “Não havia um recurso que simplesmente dissesse: “Corrine, isso é tudo o que você precisa saber agora na sua idade.  Então pensei que este projeto poderia fazer alguma diferença”.

Corrine começou a trabalhar as imagens como parte de seu projeto de mestrado e, em seguida, em seu PhD. Desde então, a parte visual mudou muito. Foi testada em centenas de pacientes e tem sido constantemente refinada.

Ela diz que sempre se coloca “na pele da paciente” para ver o problema a partir da perspectiva dele, e “a seguir converso com profissionais de saúde e outras pessoas envolvidas, como os cuidadores, que realmente entendem quais são as questões, e então crio soluções visuais de acordo com as necessidades deles”.

Embora a parte visual esteja sendo criada nos últimos 15 anos, Corrine não iniciou a promoção da campanha até ter deixado seu trabalho como professora de design na Kingston University, em Londres, há dois anos, para fundar a Worldwide Breast Cancer.

A parte visual e os textos anexos foram traduzidos para 12 idiomas, mas Corrine está procurando doações para expandir a campanha em mais línguas e criar mais material para ampliar o alcance.

“Estou também trabalhando em um projeto para ajudar as pacientes que receberam este diagnóstico, por ser uma carga tão grande de informações”.

“Elas estão tentando identificar o subtipo da doença, quais são as opções de tratamento, e por que as coisas estão sendo recomendadas, em vez do que família e amigos disseram on-line ter dado certo para outras pacientes”, disse ela.

Corrine também está trabalhando em novos materiais para as pacientes com metástases do câncer de mama, “que é a população mais difícil de compreender, porque não é um caminho direto”.

“Fizemos muitos testes. Existem atualmente ensaios clínicos na Turquia, no México e nos EUA, e até agora a resposta tem sido muito positiva”.

Worldwide Breast Cancer, página na web.

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