‘Bomba estomacal’ funciona em pacientes obesos motivados: estudo de dois anos

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Marlene Busko

 

O dispositivo The AspireAssist (Aspiration Bariatrics, King of Prussia, Pensilvânia e Mina Medial, Suécia), pelo qual pacientes obesos removem um terço do conteúdo do estômago depois de comerem as principais refeições, foi seguro e efetivo quanto à adesão em pacientes por dois anos, mostrou um pequeno estudo prospectivo observacional.

Os Drs. Erik Norén e Henrik Forssell, do Blekinge County Hospital, em Karlskrona (Suécia), avaliaram a segurança do dispositivo e a perda de peso, assim como a qualidade de vida, em 25 indivíduos obesos em um novo estudo publicado on-line em 28 de dezembro de 2016, no BMC Obesity.

Conforme previamente relatado pelo Medscape, esse dispositivo para tratamento da obesidade foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA em junho de 2016, com base em um estudo clínico randomizado de um ano no qual 111 pacientes perderam 12% do peso com o AspireAssist, em comparação com 60 pacientes controle que perderam apenas 3,6% do peso.

O estudo atual mostrou que 20 pacientes dentre os 25 recrutados para um estudo exploratório de segurança e eficácia na Suécia ainda estavam utilizando o dispositivo após um ano; 16 pacientes concordaram em continuar a utilizá-lo por outro ano e 15 pacientes o fizeram.

Em média, os pacientes pesavam inicialmente 107 kg, o que incluía 40 kg de excesso de peso (acima do peso para um índice de massa corporal, IMC, de 25).

Após um ano, os pacientes em uso do dispositivo haviam perdido uma média de 54% de seu excesso de peso, e em dois anos os pacientes que ainda usavam o dispositivo haviam perdido uma média de 62% do excesso de peso.

“Essa perda de peso superou nossas expectativas e está quase no nível do procedimento de derivação digestiva e de outras grandes cirurgias abdominais para obesidade”, escrevem os Drs. Norén e Forssell.

Os pacientes relataram melhora da qualidade de vida e não ocorreram eventos adversos graves ou transtornos de eletrólitos. Os sete pacientes com diabetes tipo 2 apresentaram melhora nos níveis de HbA1c.

Assim, “a terapia de aspiração é um método seguro que permite que pacientes obesos motivados reduzam seu excesso de peso pela metade, melhorando a qualidade de vida, no período de um ano”, concluem os pesquisadores.

Mas os pacientes precisam estar motivados para terem sucesso, ressaltam.

“Atualmente não temos meios de prever a adesão, mas pessoas organizadas com capacidade de seguir rotinas diárias parecem ter maior probabilidade de sucesso”, observam.

Comparada com a cirurgia bariátrica, “a terapia de aspiração possibilita um procedimento ambulatorial de fácil realização que não traz os riscos associados a uma grande cirurgia abdominal”, observam os Drs. Norén e Forssell.

O dispositivo AspireAssist não ficou isento de críticas. O presidente da Academy of Eating Disorders solicitou à FDA a reversão da aprovação alegando que o dispisitivo poderia levar a transtornos com potencial ameaça à vida, como bulimia e libação alimentar.

Uma gastrostomia reversa

O procedimento endoscópico para inserção do tubo do estômago do paciente até a superfície do abdômen é realizado sob sedação consciente e se assemelha à gastrostomia endoscópica percutânea, na qual uma sonda de alimentação é colocada no estômago. Depois de cerca de duas semanas o paciente passa a utilizar um dispositivo cutâneo.

Então, três vezes ao dia, após café da manhã, almoço e jantar, o paciente acopla o dispositivo de aspiração e realiza diversos ciclos de infusão de água no estômago e drenagem do conteúdo estomacal no banheiro.

Anteriormente, a Dra. Shelby Sullivan, diretora de endoscopia bariátrica na Washington University School of Medicine,em St Louis, Missouri, mostrou, com seus colaboradores, em um estudo piloto randomizado de uma ano com 17 pacientes (Gastroenterology. 2013;145: 1245–1252), que “a terapia de aspiração não induz comportamentos alimentares adversos nem altera pontuações basais de depressão”, observam os Drs. Norén e Forssell.

Para o estudo atual, os pesquisadores recrutaram 25 pacientes obesos acompanhados no Belkinge Hospital, com um IMC >35 kg/m2, com 25 a 65 anos de idade, sem história de abuso de substâncias ou transtorno alimentar ou outros critérios de exclusão. As 23 mulheres e os dois homens tinham uma média de idade de 48 anos e um IMC médio de 40 kg/m2.

Os pacientes tiveram o dispositivo instalado, receberam instruções de uso, e realizaram duas sessões individuais e seis sessões em grupo de terapia cognitivo-comportamental.

Os pacientes relataram melhora da qualidade de vida com um ano de uso, com base em resposta de questionários.

Os pesquisadores não encontraram evidências de aumento da excreção de potássio urinário, o que poderia levar a hipocalemia crônica e risco de arritmia cardíaca.

Durante a primeira semana pós-operatória, 13 pacientes (52%) relataram dor moderada; 9% relataram dor grave; e dois pacientes foram admitidos no hospital com suspeita de vazamento ou mal posicionamento da sonda.

A patência a longo prazo ainda é desconhecida, alertam os Drs. Norén e Forssell. “Acreditamos que uma vez que o peso desejado é atingido, muitos, senão a maioria dos pacientes, precisarão continuar a terapia de aspiração, possivelmente com menor frequência, para manter a estabilidade do peso”, especulam.

Eles estão agora começando um estudo prospectivo por cinco anos para comparar 50 pacientes que receberam a terapia de aspiração versus 50 pacientes que receberam derivação gástrica laparoscópica.

O estudo foi financiado pela Mina Medical e Aspire Bariatrics. Os autores declararam não possuir conflitos de interesse relevantes. O Dr. Forssell faleceu depois de um rápido adoecimento durante a submissão do artigo.

BMC Obes. 2016;3:56. Artigo

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