Hipocondria: o medo que vira doença

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Ninguém gosta de descobrir que está doente, claro! Mas há quem acabe comprometendo a própria saúde mental de tanto sofrer com a possibilidade de desenvolver algum mal

Ana Bardella

Hipocondria: o medo que vira doença | <i>Crédito: Shutterstock
Hipocondria: o medo que vira doença | Crédito: Shutterstock
Uma mancha roxa na perna, uma pontada, uma dor de estômago… Todos nós estamos sujeitos a sintomas como esses, que, na maioria das vezes, não são indícios de nada grave. No entanto, para algumas pessoas, esses e outros sinais são vistos como “avisos” do organismo para males complexos, difíceis de diagnosticar e que, mais cedo ou mais tarde, acabarão na perda total da saúde. “A hipocondria é um transtorno mental que gera uma obsessão com doenças ou medicamentos”, diz Sarah Lopes, psicóloga da operadora Hapvida.
Por que acontece?
Na maioria das vezes, o hipocondríaco sofre de ansiedade e foca esse sentimento na preocupação com a própria saúde. Por exemplo, na ansiedade generalizada, a pessoa se angustia com várias coisas ao mesmo tempo, como com a segurança física – temendo assaltos, sequestros, acidentes, problemas pessoais e até doenças. Já o hipocondríaco transforma toda essa tensão em medo de adoecer de algum mal agressivo ou incurável. “A preocupação com doenças leves acontece em menor escala, mas também pode ocorrer”, explica a psicóloga. Além disso, existe a possibilidade de o transtorno vir acompanhado de outros problemas mentais, como depressão e transtorno obsessivo compulsivo (TOC).
Sintomas exagerados
Graças a tamanha obsessão, o hipocondríaco pode “escutar” demais o corpo. Ou seja, por estar sempre atento ao sinal de qualquer doença, sente com uma intensidade fora do comum o que passaria despercebido a outras pessoas. “Também pode acabar criando sinais no próprio organismo”, diz Sarah. Portanto, se alguém que sofre com o transtorno diz ao médico que está com dor, não quer dizer que esteja mentindo! Provavelmente, está com o incômodo – só que, em vez de a origem ser uma doença, é o cérebro.
A internet influencia
Basta escrever o nome de um sintoma, do mais clássico ao mais raro, que já deparamos com uma lista das possíveis causas para o mal. Não é pra menos: a cada 20 pesquisas no Google, uma é sobre saúde! “A facilidade de acesso contribui para que um quadro de ansiedade evolua para hipocondria”, diz Sarah. É difícil mesmo manter o bom senso diante de tantas informações, mas o melhor é sempre procurar um médico.
É preciso tratar!
Geralmente, a suspeita sobre o transtorno não parte da própria pessoa, mas de um familiar ou amigo próximo. Para quem vê de fora, o hipocondríaco parece alguém “que só fala sobre doença”, que está sempre preocupado e girando as conversas em torno desse tema. Mas o problema é mais sério do que isso. Por esse motivo é preciso convencer a pessoa a procurar ajuda. O tratamento depende do diagnóstico – pode ser feito com psicoterapia ou também com ansiolíticos ou antidepressivos receitados pelo psiquiatra.
Alguns sinais comuns
❱❱ Interesse excessivo em assuntos médicos e gasto de tempo com pesquisas sobre doenças, sintomas e tratamentos.
❱❱ Paranoia com relação ao contágio de doenças. Se alguém espirra por perto, a pessoa já cogita a possibilidade de estar com o mesmo problema.
❱❱ Insatisfação com médicos e hospitais. Assim que um profissional diz que o hipocondríaco não está com a doença que diz estar, ele passa a ser visto como incompetente. A pessoa, então, vai em busca de outro médico ou clínica.
❱❱ Automedicação. Como não confiam naquilo que os médicos dizem, partem para a ingestão de remédios por conta própria, acreditando que podem melhorar dessa maneira. “A prática é perigosa, pois pode acarretar problemas graves”, alerta.
No mundo dos famosos
Recentemente, a atriz americana Amanda Seyfried confessou que tem TOC. Apesar de não ter sido diagnosticada como hipocondríaca, ela – que toma antidepressivos há 11 anos – convenceu-se de que estava com um tumor no cérebro, até precisar ser encaminhada para um tratamento com o psiquiatra.
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