Estilo de vida saudável pode reduzir parcialmente risco genético de doença coronariana

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Boston — Aderir a um estilo de vida saudável pode reduzir dramaticamente o risco de doença arterial coronariana, mesmo se houver um alto risco genético para eventos coronarianos, de acordo com uma nova pesquisa[1].

“Pelo menos para eventos cardíacos, DNA não é destino”, afirmou o Dr. Sekar Kathiresan (Massachusetts General Hospital, Harvard Medical School, Boston) ao Medscape. “Mesmo que tenha um alto risco genético, você tem a capacidade de controlar parte desse risco ao aderir a um estilo de vida saudável”.

“Se você tem alto risco genético e um estilo de vida desfavorável, neste estudo, o risco em 10 anos de apresentar um evento cardíaco foi cerca de 11%”, disse o Dr. Kathiresan. “Mas se você tem alto risco genético e um estilo de vida favorável, o risco em 10 anos foi de apenas 5%, sugerindo que é possível compensar o risco genético em mais de 50% ao aderir a um estilo de vida saudável”.

O Dr. Kathiresan e colaboradores quantificaram o risco genético de doença arterial coronariana em cerca de 60.000 participantes em três coortes prospectivas (Atherosclerosis Risk in Communities, Women’s Genome Health Study e Malmö Diet and Cancer Study) e em uma coorte transversal (BioImage Study).

Eles também desenvolveram um sistema de pontuação de estilo de vida baseado em quatro fatores: atualmente não ser tabagista, ausência de obesidade, atividade física regular e dieta saudável. Os participantes com três ou mais desses fatores foram categorizados como tendo um estilo de vida favorável, participantes com dois fatores como tendo estilo de vida intermediário, e os participantes com um ou nenhum dos fatores como tendo um estilo de vida desfavorável.

“A partir da avaliação inicial, essas 60.000 pessoas foram classificadas em categorias de risco genético: alto risco genético, risco genético intermediário e baixo risco genético. Em paralelo também classificamos esses indivíduos em categorias de estilo de vida: estilo de vida favorável, estilo de vida intermediário e estilo de vida desfavorável”, disse o Dr. Kathiresan.

Os resultados foram publicados na edição de 15 de dezembro de 2016 do New England Journal of Medicine, com o Dr. Amit V. Khera (Massachusetts General Hospital, Harvard Medical School) como autor principal.

Os pesquisadores observaram que o risco relativo de novos eventos coronarianos foi 91% maior entre os participantes com maior risco genético do que aqueles com menor risco genético (hazard ratio, HR, 1,91, IC de 95% 1,75-2,09).

No entanto, eles também observaram que cada um dos fatores de estilo de vida saudável estava associado a uma diminuição do risco de eventos coronarianos: atualmente não ser tabagista (HR 0,56, IC de 95%, 0,47-0,66), ausência de obesidade (HR 0,66, IC de 95%, 0,58-0,76), atividade física regular (HR 0,88, IC de 95%, 0,80-0,97) e dieta saudável (HR 0,91, IC de 95%, 0,83-0,99).

Os pesquisadores observaram que os fatores de estilo de vida são fortes preditores de eventos coronarianos em cada categoria de risco genético. Um estilo de vida favorável, comparado com desfavorável, esteve associado a um risco relativo 45% menor entre os participantes com baixo risco genético, 47% menor entre as pessoas com risco genético intermediário e 46% menor entre aqueles com alto risco genético.

“Muitos pacientes com importante história familiar de eventos cardíacos sentem que estão condenados a ter o problema, que não têm o controle. Acho que nossos dados são tranquilizadores ao mostrar que, mesmo com um alto risco familiar, pode-se ter controle sobre a própria saúde”, disse o Dr. Kathiresan. “É uma boa mensagem de saúde pública: o estilo de vida ainda importa, mesmo em pessoas com alto risco genético”.

Ele também inverteu a pergunta: “Se você herdar “bons genes”, isso pode ser neutralizado por um estilo de vida ruim? Nós realmente observamos que sim. A taxa de eventos cardíacos em pacientes com baixo risco genético e um estilo de vida ruim também foi cerca de 5%”.

“O que há de novo aqui”, ele resumiu, “é uma avaliação da interrelação entre o estilo de vida e a genética. O que é ímpar em nosso trabalho é que estudamos a interação entre os dois”.

O Dr. Khera relatou ter recebido apoio da American College of Cardiology Foundation (ACCF)/Merck, Harvard Medical School e Harvard Catalyst durante a realização do estudo e honorários pessoais de Merck and Amarin Pharmaceuticals não relacionados ao trabalho apresentado. O Dr. Kathiresan relatou ter recebido apoio do Massachusetts General Hospital e dos National Institutes of Health durante a realização do estudo; doações e taxas pessoais de Bayer Healthcare; taxas pessoais de Regeneron Genetics Center, Merck, Celera, Genomics, Novartis, Sanofi, AstraZeneca, Alnylam, Eli Lilly, Leerink Partners, Noble Insights e Ionis; honorários pessoais e outros apoios de Catabasis; e outros apoios de San Therapeutics, não relacionados ao trabalho. As declarações dos coautores estão listadas no site do periódico.

Referências

  1. Khera AV, Emdin CA, Drake I, et al. Genetic risk, adherence to a healthy lifestyle, and coronary disease. N Engl J Med 2016; 375:2349-2358. Artigo
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