Diminuição anômala do fluxo sanguíneo cerebral em usuários de maconha

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Megan Brooks

Resultados de um exame de neuroimagem demonstram os efeitos nocivos da maconha no cérebro.

Utilizando tomografia computadorizada por emissão de fóton único (Single-Photon Emission Computed Tomography – SPECT) em usuários de maconha e não usuários saudáveis, pesquisadores identificaram um fluxo sanguíneo anormalmente baixo em várias regiões do cérebro de usuários de maconha, particularmente nas áreas conhecidas por estarem comprometidas na doença de Alzheimer, e esta diminuição pode diferenciar com fidedignidade os usuários de maconha das pessoas que não a utilizam.

“Enquanto legalização da maconha pode abrir caminhos para novas aplicações terapêuticas, este estudo mostra redução global da perfusão cerebral nos exames de imagem de quase 1.000 usuários de maconha, particularmente no hipocampo, uma área do cérebro vital para a memória e a aprendizagem, e também sujeita à redução do fluxo sanguíneo na doença de Alzheimer, disse ao Medscape o pesquisador do estudo Dr. Cyrus Raji, PhD, médico na University of California, em Los Angeles.

Estudos anteriores sugeriram que o hipocampo encolhe fisicamente com o uso da maconha, mas nenhum avaliou a perfusão em um grupo grande como este, observou o pesquisador.

“A constatação de que fumar maconha é tóxico para o cérebro não foi nenhuma surpresa”, disse ao Medscape o primeiro autor Dr. Daniel Amen, médico da Amen Clinics Inc., em Costa Mesa, na Califórnia. “O que surpreendeu foi a redução global do fluxo sanguíneo, e as diminuições particularmente no hipocampo direito.

O estudo foi publicado on-line em 24 de novembro no periódico Journal of Alzheimer’s Disease.

Efeitos “preocupantes”

As conclusões se baseiam em exames de tomografia computadorizada por emissão de fóton único cerebral em repouso e durante a execução de uma tarefa exigindo concentração, feitos em 982 participantes com diagnóstico de transtorno de uso de Cannabis e em 92 controles saudáveis.

Os usuários de maconha apresentaram menor perfusão cerebral em média (P < 0,05). A análise discriminante diferenciou os usuários de maconha dos controles, classificando corretamente 96% dos casos e 92% por validação cruzada deixando uma de fora.

A perfusão do hipocampo entre os usuários de maconha foi 13% menor nos exames de concentração em comparação aos controles, com um grande tamanho do efeito (d de Cohen = 0,99 para esquerda e 1,03 para a direita). “É notável”, dizem os pesquisadores, “que a hipoperfusão do hipocampo direito durante a tarefa exigindo concentração, pela tomografia computadorizada por emissão de fóton, tenha sido o fator mais preditivo separando os usuários de maconha dos não usuários.

“Este trabalho sugere que o uso da maconha exerce influências prejudiciais no cérebro – particularmente em regiões importantes para a memória e a aprendizagem, e conhecidas por estarem comprometidas na doença de Alzheimer”, disse a co-pesquisadora Dra. Lantie Elisabeth Jorandby, médica da Amen Clinics, em um comunicado.

“A utilização aberta de maconha, por meio da legalização, irá revelar a sua ampla gama de benefícios e ameaças para a saúde humana. Este estudo indica efeitos perturbadores sobre o hipocampo, que podem ser os precursores de lesões cerebrais”, acrescentou o Dr. George Perry, editor-chefe do periódico Journal of Alzheimer’s Disease.

“Vinte e seis estados nos EUA já legalizaram a maconha para uso recreativo e, francamente, eu sou totalmente a favor da legalização, o Dr. Amen acrescentou. No entanto, existem 10 estados que aprovaram a maconha para demência e isso não é muito inteligente”.

“Não há nada na literatura mostrando que a maconha seja útil na doença de Alzheimer”, disse ele. “Há estudos em modelos animais demonstrando que a marijuana pode ajudar a quebrar a formação de placas β-amiloide, que acredita-se ser uma das causas da doença de Alzheimer. A partir desses estudos com animais, algumas pessoas inferiram que isso é bom contra a doença de Alzheimer. O problema é que todos os ensaios clínicos com medicamentos direcionados às placas amiloides estão fracassando, então, tudo é muito mais complexo do que pensamos”.

J Alzheimers Dis. Publicado on-line em 24 de novembro de 2016. Resumo

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